Para a história: João Sousa derrota ex-finalista Marin Cilic e iguala melhor resultado da carreira em Wimbledon

Fernando Correia/Millennium Estoril Open

Seis anos depois de Michelle Larcher de Brito ter derrotado Maria Sharapova, o ténis português volta a celebrar uma vitória memorável na relva do All England Club: na tarde desta quinta-feira, João Sousa (69.º ATP) surpreendeu o vice-campeão de 2017 Marin Cilic para somar um dos melhores triunfos da carreira e inscrever o nome na terceira ronda do quadro principal de singulares de Wimbledon pela segunda vez.

Frente a frente no Court 12 com um campeão de torneios do Grand Slam (US Open 2014) e um dos melhores jogadores dos últimos largos anos (Cilic já conquistou no total 18 títulos ATP em 32 finais disputadas e foi número três mundial no fim de janeiro do ano passado), o melhor tenista nacional de todos os tempos não se intimidou com o palmarés do seu adversário e mostrou estar preparado para a ocasião de tal modo que conseguiu mesmo afastar categoricamente o croata em sets diretos: 6-4, 6-4 e 6-4.

Esta tarde de quinta-feira começou da melhor forma possível para o vimaranense, que com uma entrada irrepreensível passou desde logo a comandar o primeiro parcial com um break de vantagem. A partir daí, o pupilo de Frederico Marques conseguiu manter os seus jogos de serviço com relativa facilidade (só no oitavo jogo teve mais dificuldades, salvando três pontos de break) e fechar com sucesso a partida inaugural, o que se traduzia logo aí no primeiro set que ganhava ao 13.º cabeça de série em cinco encontros.

A responder muito bem ao potente serviço de Marin Cilic e sobretudo muito seguro com a sua pancada de serviço (anulou três break points no seu primeiro jogo de serviço e dois no segundo), que é muitas vezes apontada como o ‘calcanhar de Aquiles’ no jogo do tenista de 30 anos, Sousa manteve a toada no segundo parcial e, aliado ao facto de continuar a falhar muito pouco, beneficiou de alguns erros fatais do atleta natural da Bósnia-Herzegovina que lhe permitiram nova quebra de serviço, agora no quinto jogo.

Depois disso, curiosamente, o número um lusitano, que disputava o 50.º encontro em eventos Major, não enfrentou mais problemas no seu serviço e conseguiu mesmo colocar-se em posição privilegiada ao deter uma liderança de dois sets a zero contra o gigante croata, que se sentia estar cada vez mais apático, errático e sem qualquer antídoto para travar o jogo muito estável física e emocionalmente do tenista vimaranense.

No terceiro set, voltou a ser João Sousa a dar o primeiro passo: depois de salvos dois pontos de break no seu primeiro jogo de serviço, o português converteu à terceira tentativa uma oportunidade de que dispôs no serviço de Cilic e ficou muito mais tranquilo no embate. A essa quebra de serviço seguiu-se a manutenção dos seus jogos de serviço posteriores apesar de alguns calafrios (voltou a ter de anular dois pontos de break) rumo a um triunfo histórico e inesquecível por parte de João Sousa.

Escrita mais uma página dourada para a história do ténis português, Sousa volta então a tomar um top-20 mundial (é a 55.ª vez que o faz na carreira) depois de ter averbado uma grande vitória sobre Lucas Pouille (na altura 17.º) na terceira ronda do US Open 2018 e repete a prestação, sendo esta a maior vitória da carreira em torneios do Grand Slam e mesmo fora deles dado o rico palmarés de Marin Cilic.

E agora? Agora João Sousa vai em busca dos primeiros oitavos de final no All England Club e segundos numa das quatro maiores provas do mundo quando medir forças no próximo sábado com o tenista da casa Daniel Evans (61.º), que deixou pelo caminho o 18.º pré-designado, o georgiano Nikoloz Basilashvili (16.º), por 6-3, 6-2 e 7-6(2).

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