João Sousa derrota nova promessa do ténis britânico para chegar à segunda ronda de Wimbledon

Pela segunda vez na carreira, João Sousa está na segunda ronda do torneio de Wimbledon.

O número um nacional (e 69.º do ranking ATP) viveu um dia praticamente perfeito no All England Club, ao vencer por 6-0, 6-3, 6-7(8) e 6-1 o jovem Paul Jubb — que aos 19 anos é o 431.º classificado da tabela e recebeu um wild card para o quadro principal graças ao título conquistado no Campeonato Nacional Universitário dos Estados Unidos da América, onde derrotou o português Nuno Borges na grande decisão.

A participar pela sexta vez no quadro principal daquele que é o pior torneio do Grand Slam do currículo em termos de vitórias conquistadas, o jogador português de 30 anos esteve quase irrepreensível em todos os capítulos e aproveitou uma exibição compreensivelmente nervosa do jogador da casa para vencer depois de 2h18.

O primeiro parcial do encontro foi conquistado em 20 minutos, graças a três quebras de serviço e um total de 26 pontos ganhos em 37 disputados; no segundo, Sousa continuou agressivo e a dar muito trabalho a Jubb, que teve de lutar muito para entrar pela primeira vez no marcador e sacudir para trás dos ombros alguma da pressão resultante da ocasião — afinal, tratava-se da primeira experiência em torneios do Grand Slam uma semana depois de ter jogado pela primeira vez num evento do nível ATP, em que até somou boas vitórias sobre Denis Istomin e Andrey Rublev para chegar ao quadro principal.

Depois de dois sets de sentido único, o terceiro revelou-se o mais equilibrado de todos e viu Paul Jubb ganhar confiança ao ponto de conseguir concretizar pela primeira vez uma quebra de serviço. O ainda amador — assim terá de continuar para poder concluir a carreira no circuito universitário norte-americano, a que pretende regressar em janeiro — antecipou ligeiramente a execução das pancadas de fundo do campo, avançou no terreno e conseguiu entrar num “mano a mano” com o vimaranense, que esteve pertíssimo de vencer um tie-break muito equilibrado que acabou por tender para o lado do britânico.

Foi um pequeno desvio de um percurso que já muito parecia traçado, uma vez que João Sousa regressou rapidamente aos níveis de confiança — e eficácia — que caracterizaram os dois primeiros parciais. À primeira janela de oportunidade, o primeiro break e à segunda mais um, como que reafirmando o desejo de fechar rapidamente uma muito desejada e importante vitória na quarta e última prova que disputa em relva.

Esta é a segunda vez na carreira que o melhor tenista português de todos os tempos ultrapassa a etapa inaugural do torneio mais sagrado da modalidade.

Na primeira, em 2016, não só o fez como foi mais além, ao alcançar a terceira ronda, e para o repetir este ano é quase um dado adquirido dizer-se que terá de ultrapassar um desafio (bem) maior: ou o croata Marin Cilic (18.º ATP), finalista da competição há dois anos e que no currículo conta ainda com um título no US Open, ou Adrian Mannarino (42.º) — o francês que o derrotou na primeira ronda do Masters 1000 de Madrid e há um par de semanas conquistou, ao fim de sete finais, o primeiro título ATP da carreira precisamente num palco relvado: o Libéma Open, em ‘s-Hertogenbosch, na Holanda.

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