Gonçalo Oliveira desiste de forma insólita dos singulares e depois chega à final de pares

Duas semanas, duas finais de pares para Gonçalo Oliveira em torneios Challenger. Dias depois de ter sido derrotado no encontro decisivo em Shumkent, no Cazaquistão, o tenista português vai ter mais uma oportunidade de adicionar um título ao currículo, agora em Samarcanda, Uzbequistão.

O apuramento desta sexta-feira fez-se ao lado de Andrei Vasilevski (com quem defende o estatuto de primeiro cabeça de série) com os parciais de 6-3 e 6-4, frente a Jose Hernandez-Fernandez e Pavel Kotov.

Mas a passagem à decisão de pares só aconteceu depois do jogador português de 24 anos ter entrado em ação em singulares, variante da qual se despediu de forma insólita: desistiu quando perdia por 6-2, 5-2 e 30-0 no serviço de Corentin Moutet (123.º ATP), tenista francês que é o primeiro cabeça de série do torneio.

Gonçalo Oliveira chegou a ser assistido na fase inicial do segundo set, mas manteve-se em prova e no momento da desistência — que se seguiu a uma resposta de esquerda para fora — não aparentava dificuldades que o impedissem de terminar um encontro que pela forma como se desenrolou nos instantes finais estava praticamente selado. O português não chegou a cumprimentar o adversário.

Contactado pelo Raquetc, o jogador portuense revelou que “já ando aleijado há algum tempo e devia ter terminado mais cedo, não consigo correr bem”, acrescentando que conseguiu voltar a jogo para disputar a meia-final de pares porque “em pares aguento-me, não preciso de correr para o lado direito.”

Notícia atualizada às 18h25.

Gaspar Ribeiro Lança
gasparlanca@raquetc.com | Dar palavras a um encontro de dois, três, quatro ou cinco sets, com ou sem tie-break. Dar palavras a recordes, a histórias. Dar ténis a todos aqueles que o queiram. E mais, sempre mais. Por isso depois chegaram o padel e o squash. E assim cá estamos, no RAQUETC ("raquetecétera"). Como escreveu Fernando Pessoa nos anos 20, "primeiro estranha-se, depois entranha-se."