Fred Gil: “Estou a começar a pensar seriamente em apostar só nos pares”

Fotografia: Beatriz Ruivo/Lisboa Belém Open

LISBOA — No dia em que regressou com uma vitória a um palco de boas memórias — foi vice-campeão de pares da primeira edição do Lisboa Belém Open, em 2017 —, Frederico Gil revelou a vontade de dar um novo rumo à carreira.

“Estou a começar a pensar seriamente em apostar só nos pares”. A revelação foi feita na conferência de imprensa que se seguiu ao triunfo ao lado de Bernardo Saraiva, no primeiro encontro do dia no Estádio CIF, e foi rapidamente explicada. “Começo a perder a motivação de ir para fora jogar Futures, estou a começar a perder essa força. Aqui em Portugal tudo bem, porque é perto, vou, tenho a minha filha e volto, mas fazer carreira em Futures está a ficar fora de questão e por isso estou a pensar apostar seriamente numa carreira de pares, em Challengers e para cima. É mais motivante.”

A ideia não é nova — Frederico Gil já tinha expressado a vontade em apostar de forma mais significativa nos pares em 2013, ao lado de Pedro Sousa, e em 2017, com Gonçalo Oliveira — mas ganha força numa altura em que o jogador português já tem 34 anos, até porque as alterações levadas a cabo pela ITF aos torneios do escalão mais baixo condicionam e muito a vida aos jogadores.

“Cada vez mais acho que são duas carreiras diferentes, está a ficar cada vez mais claro. A transição ficou muito difícil, não é nada progressiva. Uma pessoa fica nos Futures e depois nunca mais sai, porque eu ganho, ganho e ganho torneios a pares mas depois para manter a posição tenho de ganhar todos novamente e mesmo assim não consigo ter acesso aos Challengers”, acrescentou o ex-número um nacional, que no currículo conta com um total de 41 títulos na variante (dos quais sete foram conquistados em Challengers e um num ATP).

Na mesma conferência de imprensa, Bernardo Saraiva revelou que partilha da mesma filosofia. “Tomei a decisão no final do ano passado porque estava bem melhor classificado nos pares e como já conseguia entrar nos Challengers decidi apostar nessa carreira. A motivação é muito maior, podemos jogar bons torneios e nós como jogadores queremos é isso, jogar os melhores possíveis e estar ao pé dos melhores jogadores. Estar nos Futures muito tempo acaba por ser desmotivante. Acho que foi uma boa decisão, gosto e divirto-me mais.”

“Porque parar é cada vez mais morrer a nível competitivo”, Gil e Saraiva concluem que não podem dispender das oportunidades que têm para entrar em ação. “Parar muito e apostar em pré-temporadas está a acabar, é competir, competir, competir e vais descansando enquanto podes. Tens de andar constantemente neste registo até que um ou outro torneio começam a correr bem e depois começas a subir, não há outra forma”, admitiu Gil. “Vai-se trabalhando durante a competição, todos os jogadores top fazem isso e é saudável.”

Jogar lado a lado é por isso uma aposta de Fred Gil e Bernardo Saraiva — que queriam ter começado a jogar juntos no Millennium Estoril Open, onde o pedido de wild card não foi correspondido —, mas porque neste momento estão em níveis diferentes ainda não conseguem ter o calendário alinhado. Talvez joguem nos ITFs em solo português, talvez apontem aos torneios Challenger espalhados pela Europa, só o fecho das listas de inscritos o dirá.

Gaspar Ribeiro Lança
gasparlanca@raquetc.com | Dar palavras a um encontro de dois, três, quatro ou cinco sets, com ou sem tie-break. Dar palavras a histórias, a recordes. Dar ténis a todos aqueles que o queiram. E mais, sempre mais — por isso depois chegaram o padel, o ténis de mesa e o squash. E assim cá estamos, no Raquetc ("raquetecétera"). Como escreveu Pessoa, "primeiro estranha-se, depois entranha-se."