Gastão Elias: “Fui muito consistente com o serviço e isso deu-me confiança”

Fotografia: Beatriz Ruivo/Lisboa Belém Open

LISBOA — À terceira edição, Gastão Elias conseguiu encontrar a calma, a tranquilidade e a forma para somar uma vitória num encontro de singulares no Lisboa Belém Open. A jogar “em casa”, como o próprio admitiu, o português fez uma boa exibição para passar por um adversário complicado, rodado, e mostrou-se satisfeito com o desfecho da estreia.

“Infelizmente na última vez em que aqui estive não pude jogar [lesionou-se no ombro durante o Braga Open, na semana anterior] e na anterior não correu da melhor forma, por isso fico feliz por hoje finalmente conseguir a minha primeira vitória em casa, dentro de casa”, reconheceu Gastão Elias na conferência de imprensa.

O número seis nacional vinha de uma derrota na estreia em Braga, que o fez descer 28 lugares no ranking (é o 335.º), e revelou que ao contrário do que aconteceu nesse torneio “hoje já não senti dores nenhumas, comecei a servir outra vez há dois dias e até acho que hoje servi bastante bem, por isso agora é ‘meter horas’ de trabalho.”

O primeiro passo foi dado com uma vitória em dois sets (6-4 e 7-6[3]) ao italiano Federico Gaio, e Elias considerou “muito importante ter conseguido manter a concentração” depois de não aproveitar os primeiros cinco match points de que dispôs. “Não seria a primeira vez que um jogador tem cinco match points e acaba a perder o encontro, não é fácil voltar de uma situação como essas para acabar no tie-break.”

Em condições muito difíceis — “estava muito calor, o campo muito seco e a bola estava muito viva, por isso era difícil controlar a bola” —, Gastão Elias considerou que o facto de ser novamente consistente na pancada de serviço foi determinante. “Ele serviu sempre de forma muito forte, eu não tanto mas fui muito consistente e acho que isso fez a diferença porque me deixou com alguma tranquilidade nos meus jogos de serviço.”

O próximo adversário de Gastão Elias — num encontro marcado já para terça-feira, ao final do dia — é o top 100 Guido Andreozzi, um dos principais candidatos ao título. O tenista da casa diz-se pronto — “impecável, fisicamente estou bem, sem dores” — e não espera facilidades, uma vez que vai ter pela frente um adversário que “está na melhor fase da carreira dele e é muito completo, muito perigoso, que tem armas de todos os lados”, mas mostra-se otimista: “estou a jogar em casa, no meu piso favorito, a sentir-me bem e sem dores por isso tudo pode acontecer.”

Nesta conferência de imprensa voltaram a ser tema de conversa as alterações levadas a cabo pela Federação Internacional de Ténis (ITF) e a Associação dos Tenistas Profissionais (ATP) aos torneios das divisões secundárias — os ITFs e Challengers — do ténis profissional e Gastão Elias explicou, uma vez mais, as dificuldades que enfrenta.

“Inscrevi-me em todos os torneios em que o podia fazer e não consegui jogar durante um mês e meio. Como não há qualifying não posso viajar, ir ao torneio, inscrever-me e jogar”, relembrou. “É frustrante porque provavelmente no meu pior ano da última década isto acontece. Em qualquer outro eu simplesmente chegaria lá, jogava o qualifying, jogava as duas ou três rondas e se passasse estava no quadro e tinha a oportunidade de jogar os Challengers. Agora ou uma pessoa entra direta ou então não joga e por isso é que estive sem competir. É mais uma ‘facada’ no ritmo e na confiança e depois voltar do zero, mesmo estando a treinar, que não é a mesma coisa, não é fácil, mas eu tenho andado a fazer as coisas bem”, concluiu.

Gaspar Ribeiro Lança
gasparlanca@raquetc.com | Dar palavras a um encontro de dois, três, quatro ou cinco sets, com ou sem tie-break. Dar palavras a histórias, a recordes. Dar ténis a todos aqueles que o queiram. E mais, sempre mais — por isso depois chegaram o padel, o ténis de mesa e o squash. E assim cá estamos, no Raquetc ("raquetecétera"). Como escreveu Pessoa, "primeiro estranha-se, depois entranha-se."