Um ano depois a festa volta a ser portuguesa: João Domingues é o campeão do Braga Open

Fotografia: Margarida Moura/Federação Portuguesa de Ténis

BRAGA — Um ano depois de Pedro Sousa ter inaugurado o Braga Open da melhor forma, a festa é novamente portuguesa: João Domingues deu a volta à final de singulares deste domingo frente a um ex-top 60 para se sagrar campeão e conquistar o segundo título da carreira em provas do circuito Challenger — e o primeiro em solo nacional.

Menos de 24 horas depois de ter ultrapassado uma jornada dupla de forma categórica, o tenista português de 25 anos conseguiu contrariar o mais cotado e experiente Facundo Bagnis (atual 159.º do mundo e 55.º no ano de 2016) para vencer, por 6-7(3), 6-2 e 6-3, quando estavam decorridas 2h16 de encontro.

A jogar em casa, João Domingues contou com o apoio de mais de 450 pessoas que lotaram o court central do Clube de Ténis de Braga e o ajudaram a carimbar uma das melhores vitórias da carreira e também uma das mais saborosas, porque significa uma dupla conquista: é a primeira vez que o tenista natural de Oliveira de Azeméis vence um evento do ATP Challenger Tour em Portugal e esse triunfo vai fazer com que chegue mais alto do que nunca na tabela ATP: na atualização de segunda-feira será o 163.º, melhorando o 166.º lugar alcançado em novembro de 2017.

A final:

A viver um mês dourado — já tinha sido finalista vencido no Challenger de Tunes, na Tunísia, e depois voltou a furar a fase de qualificação do Millennium Estoril Open para chegar pela primeira vez aos quartos de final —, João Domingues disputava a terceira final da carreira no circuito (onde conquistou o primeiro título logo na primeira decisão, jogada em Mestre 2017) e entrou muito bem no encontro, ao quebrar logo o serviço de Facundo Bagnis para chegar rapidamente ao 3-0.

Mas o argentino, já muito experiente nestas andanças — tentava conquistar o 13.º título da carreira a este nível, sendo que todos os anteriores foram ganhos na mesma superfície, pó de tijolo —, não se rendeu e conseguiu protagonizar uma recuperação notável. Ponto a ponto, jogo a jogo, Bagnis conseguiu reentrar no encontro e começar a criar dificuldades ao português, acabando por consumar a vitória no parcial inaugural com um tie-break praticamente irrepreensível, sobretudo desde o momento em que os jogadores trocaram de lado com os seis primeiros pontos divididos de igual forma.

Chamado a ir à luta, tal como já tinha acontecido em dois dos quatro duelos anteriores, João Domingues respondeu bem: o terceiro melhor jogador português da atualidade no ranking ATP até perdeu o serviço em primeiro lugar, mas não tardou a reagir e aproveitou a perda de rendimento físico do adversário para com três quebras consecutivas igualar o confronto.

Na hora das decisões, nova vantagem para o argentino em primeiro lugar e nova recuperação: Domingues inverteu uma situação desfavorável e chegou ao 3-3, momento em que ainda perdeu um ponto por receber uma segunda penalização por coaching. João Domingues reagiu bem e voltou à carga, segurando o serviço para no jogo seguinte aproveitar o primeiro break point de que dispôs e agarrar a vitória.

Última atualização às 14h04.

Gaspar Ribeiro Lança
gasparlanca@raquetc.com | Dar palavras a um encontro de dois, três, quatro ou cinco sets, com ou sem tie-break. Dar palavras a histórias, a recordes. Dar ténis a todos aqueles que o queiram. E mais, sempre mais — por isso depois chegaram o padel, o ténis de mesa e o squash. E assim cá estamos, no Raquetc ("raquetecétera"). Como escreveu Pessoa, "primeiro estranha-se, depois entranha-se."