Daniel Batista, de espetador no Millennium Estoril Open ao primeiro quadro principal em Challengers

Daniel Batista
Fotografia: Margarida Moura/Federação Portuguesa de Ténis

Sexta-feira, derradeira sessão noturna do Millennium Estoril Open. Daniel Batista estava nas bancadas do Estádio Millennium a seguir atentamente o encontro dos quartos de final entre Frances Tiafoe e Pablo Cuevas quando fez um telefonema que mudou — e de que maneira — o seu fim de semana.

Inicialmente, o jovem tenista português até tinha previsto ir a jogo nesta semana, mas enganou-se e colocou o nome em dois torneios ITF consecutivos disputados na Tunísia e… no Uganda. Porque a viagem entre os dois eventos não faria sentido, “já estava com a mentalidade de fim de semana, a descansar, sentado nas calmas e sem bateria no telemóvel, a ver o Cuevas vencer o primeiro set por 6-0. Até que telefonei à minha mãe e ela me disse que lhe ligaram porque em princípio ia ter wild card [para o Braga Open]”, contou ao Raquetc.

Um segundo mal entendido levou Daniel Batista a pensar que teria de viajar de Lisboa para Braga logo no sábado de manhã, pelo que a noite foi intensa: sem malas feitas ou sequer raquetes encordoadas, apressou-se a preparar tudo para poder participar pela terceira vez num torneio Challenger — a primeira tinha sido precisamente há um ano, também neste palco.

A viagem, essa, acabou por só ser feita no domingo e o wild card nem foi necessário — teve entrada direta na fase de qualificação. Quanto ao fim de semana de descanso, transformou-se rapidamente numa semana que não vai esquecer: na manhã desta segunda-feira, Daniel Batista carimbou pela primeira vez na carreira o apuramento para o quadro principal de uma prova Challenger.

A vitória foi conseguida frente ao parceiro de treinos com que tinha partilhado o court nos últimos dias — Gonçalo Falcão, pelos parciais de 6-3 e 6-1. Se foi mais fácil por se tratar de um compatriota? Nem por isso: “Senti mais pressão. É sempre complicado jogar com parceiros de treino, já treinamos juntos no CIF há um ano e alguns meses e conhecemo-nos muito bem. Ele já está habituado a estas andanças, é mais velho do que eu. Entrámos os dois nervosos mas acabei por conseguir lidar melhor com isso do que ele, soltei-me e depois desfrutei do jogo.”

Mas o que viu, afinal, Daniel Batista no Millennium Estoril Open? “Vi bastantes jogos. Gostei principalmente do João [Domingues, outro dos parceiros de treino no CIF, que chegou aos quartos de final]. Só não vi o jogo com o Alex de Minaur, de resto vi todos e gostei bastante. Jogou muito desinibido.” E o que viu fá-lo considerar o oliveirense um dos grandes candidatos ao título nesta semana de ténis em Braga, que teve como campeão da primeira edição Pedro Sousa — que entretanto confirmou o que já tinha dado a entender no Millennium Estoril Open, retirando o nome do torneio devido à lesão no tornozelo.

Gaspar Ribeiro Lança
gasparlanca@raquetc.com | Dar palavras a um encontro de dois, três, quatro ou cinco sets, com ou sem tie-break. Dar palavras a histórias, a recordes. Dar ténis a todos aqueles que o queiram. E mais, sempre mais — por isso depois chegaram o padel, o ténis de mesa e o squash. E assim cá estamos, no Raquetc ("raquetecétera"). Como escreveu Pessoa, "primeiro estranha-se, depois entranha-se."