Marta Kostyuk: A menina prodígio que começou a jogar ténis para estar perto da mãe e que queria casar com Djokovic

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Fotografia: Corinne Dubreuil

Nos corredores do complexo desportivo de Melbourne Park não se fala de outra coisa. Marta Kostyuk é o nome do momento. A ucraniana de 15 anos carimbou o acesso à terceira ronda do Australian Open tornando-se a nova menina querida de todos os fãs da modalidade.

Acontece que a “miúda” prodígio é muito mais do que a jogadora de enorme qualidade que se apresenta em court. Prova disso é a entrevista que concedeu ao website da WTA, onde ao passar os olhos, é impossível ficar indiferente à genuinidade, maturidade e ao agradável sentido de humor da jovem.

Kostyuk relata vários aspetos da sua vida e da sua ainda curta carreira, começando naturalmente pelo momento em que se deu o clique para o ténis. “Foi num período em que a minha mãe estava a trabalhar imenso como treinadora e por isso não a via muito. Como queria bastante estar com ela decidia praticar. No verão ficava no court das oito da manhã às 8 da noite, desde os meus quatro ou cinco anos. Ao mesmo tempo treinava ginástica acrobática, mas depois o ténis passou a ser a minha prioridade e então parei”, começa por revelar.

Essa frustração e perfecionismo que já demonstrava tão jovem, tornaram-se, segundo a própria, os seus principais defeitos enquanto atleta. “Podia estar a ganhar 5-0 e 40-0, mas se falhasse uma bola eu atirava a raquete e ficava chateada. ‘Como é que falhei aquilo?!”. Era uma perfecionista e estava sempre stressada. As pessoas à minha volta diziam ‘Marta, aprecia o momento’. Agora quando falo com crianças digo sempre: ‘Toda a gente vai dizer-vos para apreciarem o momento, mas eu não o posso dizer, porque nunca o fiz'”, conta.

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Marta Kostyuk, de 15 anos, não cabia em si de felicidade depois de registar mais uma vitória no Australian Open. Fotografia: Elizabeth Bai/Tennis Australia

A petiz revela que apenas agora está a aprender a controlar as suas emoções no court. E por agora, refere-se ao Grand Slam que se encontra a disputar neste preciso momento. Isto porque ainda há duas semanas atrás, como conta, encontrava-se a competir num torneio de categoria Future onde acabou por ser eliminada na primeira ronda. A derrota enfureceu-a levando-a ao ponto de dizer que não queria seguir para a Austrália. Que a jogar assim, não ia passar da primeira ronda da qualificação. Mal imaginava o que o futuro lhe guardava em solo aussie…

“Fui uma jogadora diferente no meu último torneio. Agora percebo o que significa ‘gerir-me’. Sabes qual é a diferença? É que agora estás entre os profissionais, começas a ganhar dinheiro e é diferente porque estás a jogar e ao mesmo tempo a trabalhar. Só agora começo a perceber o que significa não mostrar as emoções e ter boas energias o tempo todo, isso ajuda-me imenso. Nos três jogos do qualifying, se me passasse como me passei há duas semanas, tinha-os perdido todos”, conclui.

Para terminar, a jogadora natural de Kiev não deixa de tecer algumas considerações sobre o seu futuro. As suas perspetivas são, diga-se, bastante mais sérias comparativamente com aquelas que tinha há uns anos atrás. “Queria casar com o Novak Djokovic. Temos 15 anos de diferença e os meus pais têm 18 entre si, por isso pensava que não havia mal. Mas deixei de querer quando tinha 13 anos. Já era uma pessoa muito madura!”, brinca.

Num registo mais sério, acaba por responder à questão: “Oiço alguns jogadores a dizer que o ténis é tudo para eles, que é a sua vida. Eu não quero levar as coisas dessa forma porque se começar a perder ou algo acontecer, isso destruiria a minha vida. Quando acabar a minha carreira quero ser boa noutras coisas, não só no ténis. Nunca tenho grandes objetivos, penso apenas naquilo que é a realidade. Quando atinjo um objetivo, logo penso no seguinte”.

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