O sorteio prometeu e o encontro não desiludiu: Sharapova venceu um verdadeiro espetáculo frente a Halep

A cerimónia de abertura do US Open — com Shania Twain como figura de cartaz — aborreceu e desiludiu muitos dos que usaram as redes sociais para a avaliar, o evento foi rapidamente esquecido com o início do enorme espetáculo protagonizado por Maria Sharapova (146.ª) e Simona Halep (2.ª). O sorteio do quadro tinha prometido e o encontro esteve à altura das expetativas.

De um lado, Maria Sharapova fazia o seu regresso aos torneios do Grand Slam pela primeira vez desde que acusou positivo a Meldonium num controlo anti-doping no início de 2016 — este ano, Roland Garros e Wimbledon não lhe deram wild cards para o quadro principal e acabou por não disputar o qualifying em Londres devido a lesão.

Do outro, Simona Halep procurava dar início àquilo que já por várias vezes (quatro, três delas em encontros seus em que só dependia de si) esta época: o assalto ao número 1 mundial, a que nunca chegou.

Estavam, por isso, reunidas mais do que condições para se assistir a um grande espetáculo. Um espetáculo imprevisível, em que tudo podia acontecer e o favoritismo tinha de ser atribuído a Simona Halep pela maior rotatividade e sucesso recente, mas no qual também havia números a favor de Maria Sharapova: nomeadamente, o 6-0 no frente-a-frente e o título ganho no mesmo palco, 11 anos antes. Porque no ténis e em encontros como este todos os pormenores contam.

E tal como aconteceu em Madrid (naquele que foi um dos seus primeiros jogos grandes — sobretudo pela atenção criada pelos media, em parte devido aos comentários recentes da adversária, Genie Bouchard), a russa correspondeu ao evento: mesmo sem muita rotação (tinha disputado apenas dois jogos oficiais nos últimos 3 meses), esteve perfeitamente à altura de um jogo grande.

Com a lição bem estudada, Maria Sharapova sabia que teria de ser agressiva mas capaz de controlar as suas pancadas para não exagerar nas investidas em winners. E foi isso que fez. Ao 3-1, já com o primeiro break do encontro do seu lado, somava impressionantes 15 pontos ganhantes, e apesar do set ter acabado por conhecer contornos mais equilibrados (o primeiro parcial só acabou depois de 59 minutos), a russa de 30 anos esteve sempre por cima nesse capítulo.

Ao 59.º minuto de jogo, uma direita cruzada (mais uma) permitiu-lhe apontar o 28 winner — em contrapartida, Halep tinha 6 — e fechar o primeiro parcial, arrancando um enorme aplauso das bancadas. A jogar de forma muito convincente no maior estádio do mundo, Maria Sharapova conseguiu manter-se por cima e a ditar o encontro com os seus winners, porque se deixasse de o fazer perderia o ascendente.

E enquanto Halep procurava encontrar soluções que lhe dessem a primeira vitória sobre a russa, a ex-número 1 mundial continuou a “disparar” tiros e a brilhar em campo, bem à imagem do vestido adornado de diamantes com que se apresentou. Só que um break point desperdiçado a 4-1 e alguns nervos à mistura Halep teve uma janela de oportunidade como ainda não tinha encontrado.

E a romena reagiu na perfeição à situação para vencer cinco jogos seguidos e adiar a decisão do encontro, que no terceiro set voltou a ser da russa. Cada vez mais confortável, Maria Sharapova voltou a elevar os níveis e, ao contrário das aparições anteriores, manteve-se sempre “injury free” para desenhar sem sustos um resultado artístico (6-4, 4-6 e 6-3), que, mais do que isso, vale o regresso triunfal aos maiores palcos do mundo. E, ao deixar a segunda cabeça de série pelo caminho, passa a ser automaticamente considerada uma das grandes candidatas da secção inferior do quadro.

Maria Sharapova advances over Halep

"You sometimes wonder why you put in the work. And this is exactly why."Maria Sharapova defeats Simona Halep in an emotional marathon match, spanning nearly three hours on opening night at Arthur Ashe Stadium. http://ms.spr.ly/6182rvno0 #USOpen

Publicado por US Open Tennis Championships em Segunda-feira, 28 de Agosto de 2017

Gaspar Ribeiro Lança
gasparlanca@raquetc.com | Dar palavras a um encontro de dois, três, quatro ou cinco sets, com ou sem tie-break. Dar palavras a histórias, a recordes. Dar ténis a todos aqueles que o queiram. E mais, sempre mais — por isso depois chegaram o padel, o ténis de mesa e o squash. E assim cá estamos, no Raquetc ("raquetecétera"). Como escreveu Pessoa, "primeiro estranha-se, depois entranha-se."