Inglório: longa batalha entre João Sousa e Paolo Lorenzi termina com triunfo do italiano

João Sousa

Entre os torneios do Grand Slam, o US Open é aquele onde João Sousa consegue, estatisticamente falando, os seus melhores resultados. E a verdade é que o início do encontro desta segunda-feira com Paolo Lorenzi dava a entender poder-se estar perto de celebrar mais uma vitória do vimaranense num dos quatro maiores torneios do mundo, só que acabou por ser o italiano quem saiu de Flushing Meadows com o triunfo.

À procura da presença na segunda ronda pela quarta vez — já o conseguiu em Roland Garros, mas em seis e não cinco participações –, João Sousa tinha do seu lado a vantagem no frente-a-frente. Nos três encontros disputados até hoje (São Petersburgo 2013, s-Hertogenbosch 2014 e, mais recentemente, em Kitzbühel 2017), nunca conhecera o sabor da derrota.

Até hoje. Mais forte no começo de um encontro que apenas foi possível acompanhar através do sistema de resultados em direto (o US Open ainda não tem câmaras em todos os courts, sendo o 15 um dos “afetados”), foi o número 1 português quem conseguiu o único break do primeiro set, que venceu.

Só que depois Lorenzi, um guerreiro por natureza, respondeu e começou, pouco a pouco — literalmente pouco a pouco, porque no segundo parcial o português, número 50 do ranking, ainda teve vários pontos de break que o colocariam em vantagem — a mudar a história do embate.

Já muito experiente, o italiano de 35 anos, número 40 (este ano já foi 33), conseguiu, então, passar a ter a vantagem nas suas mãos. E a verdade é que, apesar de João Sousa nunca ter largado a luta, não mais a perdeu: depois do segundo set, venceu o terceiro e também o quarto, fixando o resultado final em 4-6, 6-3, 7-6(4) e 6-2 para impedir o português de somar a sua sexta vitória em Nova Iorque — a acontecer, o US Open passaria a ser o Major em que teria mais vitórias, superando as cinco em Melbourne.

Derrotado à primeira pela segunda vez em cinco participações, João Sousa cai na etapa inaugural de um torneio do Grand Slam pela terceira vez em 2017 (só em Roland Garros conseguiu passar uma ronda), repetindo o registo de 2014 (na altura, o único triunfo foi no US Open). E assim deixam de existir representantes portugueses em prova.

Por falar em Portugal, a próxima prova a contar com a participação de João Sousa será a Taça Davis, onde o vimaranense representará mais uma vez a seleção lusa e tentará, juntamente com Pedro Sousa, Gastão Elias e João Domingues, derrotar a Alemanha no play-off do Grupo Mundial para conseguir um apuramento histórico.

Gaspar Ribeiro Lança
gasparlanca@raquetc.com | Dar palavras a um encontro de dois, três, quatro ou cinco sets, com ou sem tie-break. Dar palavras a histórias, a recordes. Dar ténis a todos aqueles que o queiram. E mais, sempre mais — por isso depois chegaram o padel, o ténis de mesa e o squash. E assim cá estamos, no Raquetc ("raquetecétera"). Como escreveu Pessoa, "primeiro estranha-se, depois entranha-se."