Entrevista a Gastão Elias

Com apenas 21 anos, Gastão Elias é o português mais novo de sempre a conseguir entrar no top-150 do ranking e é uma das grandes esperanças do ténis português. Com quatro finais Challenger já atingidas, Gastão Elias treina actualmente com o antigo profissional brasileiro Jaime Oncins. Enquanto júnior, Gastão Elias chegou a atingir a sexta posição, tendo vencido até o torneio Eddi Herr, um dos mais importantes do circuito júnior.
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Ténis Portugal (TP): Em Janeiro de 2011 deu-nos uma entrevista quando ainda estava fora do top-600. Agora, passado um ano e meio, já se encontra no top-150 mundial. Até onde pensa que pode chegar nos próximos anos?
 
Gastão Elias (GE): Eu estou num momento muito bom da minha carreira. Ainda não estou totalmente satisfeito com os meus resultados deste ano mas estou confiante que ainda posso vir a fazer algo de interessante este ano. Gostaria muito de nestes próximos anos subir o mais possível no ranking e manter-me durante bastante tempo no top 100 mas para isso ainda preciso melhorar algumas coisas no jogo.

 

 
 
TP: O seu primeiro título sénior internacional chegou num Future no México logo na época de 2006 e tem sido pela América do Sul onde tem conseguido os seus melhores resultados. Encontra alguma razão específica para esse sucesso?

 

 
GE: Exacto, o meu primeiro título sénior internacional foi em 2006 no México quando tinha 16 anos. Depois disso ainda ganhei um título nos Estados unidos no ano seguinte. Nesse ano acabei por não conseguir continuar com a boa forma e acabei por me lesionar nas costas onde estive sem competir praticamente quase 9 meses. Desde então tem sido complicado para eu entrar de novo numa boa serie de torneios, ate que no início de 2011 depois de um trabalho bem feito pelo meu treinador e preparador físico consegui encontrar a consistência que me faltava. Eu acho que a razão de esse sucesso é a consistência. É a primeira vez desde 2007 que consegui jogar uma temporada inteira sem problemas físicos.

 

 
 
TP: A temporada passada [2011] marcou-se pela confirmação do seu talento e por uma ascensão meteórica, atingindo até duas finais Challenger. Sente que a presença neste circuito é uma preparação para um possível salto e confirmação em torneios ATP?

 

 
GE: Esse foi o meu objectivo desde que eu comecei a jogar o circuito Challenger. Sempre tive como ambição ser um dos principais tenistas do mundo, e eu vejo este circuito Challenger como uma preparação para o circuito ATP que é onde eu espero ficar e manter-me durante grande parte da minha carreira.

 

 
TP: Apesar das quatro finais Challenger que já conseguiu atingir, ainda não conseguiu vencer nenhuma delas. Pensa que esse facto poderá tornar-se num problema psicológico para outra possível final, ou motiva-lhe ainda mais para conseguir o título?

 

 
GE: Eu acho que a parte psicológica não entra aqui. Eu cheguei a 4 finais, todas elas bem diferentes. Se houve uma que poderia ter feito melhor foi a de Belo Horizonte, onde estive longe do meu melhor ténis. De resto foram finais com jogadores muito bons que mesmo jogando o meu melhor podia acabar por perder. Estou contente com o que obtive e com as coisas que aprendi nessas finais.

 

 
TP: No final da temporada passada salvou match points e conseguiu uma vitória incrível frente a Frederico Gil em Buenos Aires onde acabou por perder apenas na final. Essa vitória aumentou a sua crença de que no futuro pode superar os feitos que já foram atingidos por jogadores como Gil e Rui Machado?

 

 
GE: Essa vitória foi realmente importante para mim, especialmente para esse torneio onde me deu bastante confiança. Eu estou confiante de que um dia posso chegar bem longe no ténis, e se isso acontecer os feitos virão por consequência do trabalho e dos resultados que obtiver. Não trabalho todos os dias com o objectivo de alcançar os feitos dos outros portugueses mas sim fazer o melhor possível na minha carreira.

 

 
TP: A sua estreia em Grand Slams foi no US Open da temporada passada [2011] onde conseguiu, inclusive, vencer na primeira ronda de qualificação. Qual foi a sensação de participar num dos torneios mais importantes deta modalidade?

 

 
GE: Foi uma sensação única. Depois de tantos anos a treinar com um objectivo, poder finalmente jogar num palco mundial do ténis como o US Open foi realmente gratificante.

 

 
TP: Depois de não ter conseguido ultrapassar as fases de qualificação este ano em Wimbledon e Roland Garros, chega ao US Open na melhor fase da sua carreira. Pensa que poderá ser nesse torneio que irá conseguir atingir o quadro principal ao lado dos melhores do mundo?

 

 
GE: Sim, estou confiante que sim. É um torneio muito bom de se jogar, num piso que eu adoro por isso estou realmente ansioso por poder começar a competir.

 

 
TP: Certamente o Estoril Open significa muito para a sua carreira enquanto tenista português. Ao ver o sorteio do quadro desta edição de 2012 e reparar que iria enfrentar novamente o seu amigo João Sousa, qual foi o seu primeiro pensamento?

 

 
GE: Devo dizer que foi uma sensação um pouco estranha, mas ao mesmo tempo senti que tinha uma boa oportunidade de fazer um bom resultado, pois no ano anterior não fui preparado da melhor maneira.

 

 
TP: Ainda nessa edição, fez pares ao lado de João Sousa, tal como já tinha feito por várias ocasiões, como na Taça Davis frente a Israel. Pensa que num futuro longínquo pode formar uma parceria e apostar numa carreira de pares?

 

 
GE: Nós os dois estamos a trabalhar nesse sentido. Acreditamos que num futuro próximo possamos vir a jogar mais frequentemente na Taça Davis juntos. Sobre uma possível carreira de pares acho que ainda é muito cedo para falar disso. Um dia talvez seja possível, mas ainda estamos muito longe. 

 

 
TP: Como última questão, quando chegar ao final desta temporada, qual é a posição do ranking em que deseja estar?

 

 
GE: Eu ficarei com uma sensação de dever cumprido se conseguir acabar dentro dos 100 primeiros (top-100). Sei que é muito difícil mas estou num bom caminho.

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