Halep e Muguruza vão discutir um lugar na final do Australian Open

“A perfeição não existe mas estou muito contente com a forma como joguei.”

As palavras são de Simona Halep e foram proferidas depois da quinta vitória da semana em dois sets, que faz dela a única semifinalista dos quadros principais de singulares a chegar tão longe sem ceder um parcial — Alexander Zverev também estava nessa “corrida” mas apesar da vitória não conseguiu manter o registo perfeito frente a Stan Wawrinka.

Finalista da edição de 2018, a jogadora romena esteve irrepreensível no primeiro encontro da jornada desta quarta-feira e derrotou a estónia Anett Kontaveit por 6-1 e 6-1 em impressionantes 53 minutos.

Foi uma verdadeira lição — ou uma masterclass, como depressa começou a ser considerada no panorama internacional.

No controlo do encontro desde o primeiro momento, Halep quebrou por cinco vezes o serviço da adversária e aproximou-se da perfeição para vencer 78% dos pontos jogados no seu primeiro serviço e poupar energias rumo às meias-finais. Para a campeã em título de Wimbledon, chegar tão longe em Melbourne não é uma sensação nova — foi finalista em 2018, ano de vitória para Caroline Wozniacki — e significa mais uma oportunidade de adicionar outro título do Grand Slam ao currículo.

É para isso que trabalha e foi por isso que este ano voltou a adicionar Daren Cahill à equipa técnica depois de um ano de interregno (o australiano quis dedicar-se por completo à família). Mas a próxima tarefa promete não ser nada fácil: vai defrontar Garbiñe Muguruza.

A espanhola está a ser a revelação do torneio: começou fora da lista de cabeças de série pela primeira vez em seis anos e agora está pela primeira vez nas meias-finais, graças à vitória por 7-5 e 6-3 frente a Anastasia Pavlyuchenkova, a russa que procurava chegar mais longe do que nunca a este nível.

É um verdadeiro caso de quem a viu e quem a vê, porque se no início da semana sofreu muito com um vírus que abalou a população de Melbourne nos últimos dias a espanhola de 26 anos recuperou — e bem — para começar a dominar a concorrência.

Campeã de Roland Garros em 2016 e de Wimbledon em 2017, Garbiñe Muguruza tem no Australian Open a oportunidade de finalmente voltar a recriar o sucesso do passado. Resta saber se continuará manter o ascendente no frente a frente contra a romena (3-2), que a derrotou no último encontro disputado — precisamente uma meia-final de um Grand Slam, mas em Roland Garros (por claros 6-1 e 6-4).

Gaspar Ribeiro Lança
gasparlanca@raquetc.com | Dar palavras a um encontro de dois, três, quatro ou cinco sets, com ou sem tie-break. Dar palavras a histórias, a recordes. Dar ténis a todos aqueles que o queiram. E mais, sempre mais — por isso depois chegaram o padel, o ténis de mesa e o squash. E assim cá estamos, no Raquetc ("raquetecétera"). Como escreveu Pessoa, "primeiro estranha-se, depois entranha-se."