Frederico Silva vence batalha dramática no regresso aos torneios do Grand Slam

A qualidade do ar atingiu níveis críticos, o adversário mudou à última hora e os naturais nervos apareceram, mas Frederico Silva conseguiu sair por cima de um dia atribulado e estrear-se no Australian Open como queria: a ganhar para chegar à segunda ronda do qualifying.

Num difícil duelo da primeira ronda que se prolongou por 2h35, o número 4 português e 198.º ATP derrotou o “sortudo” Ji Sung Nam (241.º) — que substituiu o lesionado Enrique Lopez Perez (181.º) pouco antes do início da jornada — por 2-6, 6-4 e 6-4.

O sul-coreano não era o adversário com quem Frederico Silva contava iniciar a participação no torneio australiano, mas a poucas horas do início da jornada (que foi atrasada pela perigosa qualidade do ar com que a cidade de Melbourne acordou) o espanhol Enrique Lopez Perez (181.º) desistiu.

Se em termos de ranking a “substituição” poderia ser favorável ao número 4 português, dentro do campo o que se verificou foi o oposto: talvez por já não estar a contar com o acontecimento, ou porque simplesmente lidou melhor com a situação, Nam não aparentou ser um estreante nestas andanças e fez uso de toda a habilidade para movimentar com sucesso Silva por todas as partes do campo e mostrar a sua apetência para o “toque”, que aliados ao maior nervosismo — e consequentes erros não forçados em demasia — do jogador luso resultaram numa combinação exasperante.

Depois de um primeiro set que ficou rapidamente para trás, o pupilo de Pedro Felner deixou os nervos para trás, subiu no campo e ao ganhar espaço no court aumentou significativamente o número de winners. Mais agressivo e, sobretudo, consistente, o jovem português precisou de muitos break points mas conseguiu igualar o marcador.

No terceiro parcial, e depois de uma longa pausa forçada por Nam (que depois do reatar voltou a interromper o duelo mas para ser assistido à coxa esquerda), Frederico Silva voltou a perder terreno no marcador mas por duas vezes — e sempre a muito custo — recuperou, até que ao nono jogo conseguiu ao 4-4 conseguiu segurar um jogo de serviço com cinco “vantagens” (e mais do que isso quatro pontos de break enfrentados) que se revelou decisivo.

Apurado para a segunda de três rondas do qualifying, Frederico Silva fica agora à espera do vencedor do encontro entre o sérvio Pedja Krstin (239.º) e o bem mais experiente Martin Klizan, eslovaco que é o atual 140.º classificado do ranking mas chegou a ser 24.º e conta com seis títulos ATP no currículo.

A madrugada desta terça-feira — que está a ser marcada por um arranque muito polémico — também será sinónimo de estreia para os outros dois portugueses em prova: Pedro Sousa, o único que é cabeça de série, e João Domingues.

Última atualização às 04h18.

Gaspar Ribeiro Lança
gasparlanca@raquetc.com | Dar palavras a um encontro de dois, três, quatro ou cinco sets, com ou sem tie-break. Dar palavras a histórias, a recordes. Dar ténis a todos aqueles que o queiram. E mais, sempre mais — por isso depois chegaram o padel, o ténis de mesa e o squash. E assim cá estamos, no Raquetc ("raquetecétera"). Como escreveu Pessoa, "primeiro estranha-se, depois entranha-se."