Canadá com sangue frio (e jovem) agarra primeiro lugar nos quartos de final

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MADRID — Nos dias de antevisão da primeira edição das Davis Cup Finals, o Grupo F era apontado como um dos mais equilibrados dos seis que fazem parte da primeira fase do novo formato da competição. Mas a juventude canadiana fez da capital espanhola uma segunda casa e quase tornou fácil o apuramento para os quartos de final.

Um dia depois de derrotar, com elegância, uma seleção italiana dotada de dois dos melhores classificados deste elenco (Matteo Berrettini é o oitavo do ranking ATP, Fabio Fognini o 12.º) sorriram num duelo de juventude contra os “vizinhos” Estados Unidos da América e assinaram o segundo 2-0 consecutivo.

Tal como na véspera, também esta terça-feira Vasek Pospisil foi o primeiro obreiro do triunfo canadiano. O ex-número #25 do mundo viveu um início de época complicado devido a lesões mas recuperou bem e no último mês conquistou dois torneios Challenger, resultados que lhe deram a confiança de que precisava para fazer esquecer primeiro a ausência do lesionado Milos Raonic, depois a recuperação de Félix Auger-Aliassime — que apesar de ter viajado com a equipa não foi aposta do capitão para nenhum dos encontros da fase de grupos, presumivelmente para não comprometer a recuperação e estar pronto para a segunda metade da semana.

Apesar de ter pela frente um dos servidores mais potentes do circuito, Pospisil deu-se bem. O canadiano, que aos 27 anos conta com mais experiência do que o ainda jovem Reilly Opelka (22), soube ser paciente e virou a potência contra o norte-americano, que não conseguiu aproveitar o “saque” para fazer a diferença nos dois tie-breaks que disputaram: 7-6(5) e 7-6(7) foram os parciais da vitória.

Mesmo sendo uma das seleções mais novas desta primeira edição do “Campeonato do Mundo do Ténis” — pelo menos é assim que Gerard Piqué & companhia querem comunicar estas Davis Cup Finals… —, o Canadá revelou nervos de aço e fez uso do sangue novo: mais motivado do que nunca e inspirado pelo bom espírito de equipa, o recém-finalista do Masters 1000 de Paris, Denis Shapovalov (20 anos) venceu a batalha da NextGen contra o já “papá” Taylor Fritz (22 anos), por 7-6(6) e 6-3.

Foi festa imediata: a segunda vitória em dois encontros garante à equipa do Canadá o primeiro lugar no equilibradíssimo Grupo F. Agora, segue-se um dia de descanso e também de estudo: esta quarta-feira, os canadianos — que pelas mãos de Shapovalov e Auger-Aliassime venceram a Taça Davis Júnior que se jogou nesta mesma Caja Mágica em 2014, mas em terra batida — ficarão a saber se defrontam a Austrália ou a Bélgica.

As duas equipas foram bem sucedidas nos encontros de estreia (Kyrgios derrotou Gonzalez por 6-4 e 6-4, de Minaur superou Galan Riveros por 6-4 e 6-3; do lado belga, a vitória já tinha sido carimbada na jornada inaugural) e vão lutar pela posição cimeira do Grupo D, enquanto a Colômbia perdeu os dois confrontos e tornou-se na primeira seleção a dizer adeus às Davis Cup Finals.

Quanto à Itália e Estados Unidos… Ainda à esperança para os dois países que não resistiram ao sangue-frio canadiano. O novo formato da fase final da Taça Davis diz que em frente seguem os primeiros classificados de cada um dos seis grupos mas também os dois melhores segundos classificados, pelo que a vitória no confronto de quarta-feira é fundamental — depois, será preciso pegar na calculadora e começar a fazer contas às diferenças de sets e jogos ganhos enquanto o tempo passa e se concluem os encontros da fase de grupos.

Última atualização às 22h36.

Gaspar Ribeiro Lança
gasparlanca@raquetc.com | Dar palavras a um encontro de dois, três, quatro ou cinco sets, com ou sem tie-break. Dar palavras a histórias, a recordes. Dar ténis a todos aqueles que o queiram. E mais, sempre mais — por isso depois chegaram o padel, o ténis de mesa e o squash. E assim cá estamos, no Raquetc ("raquetecétera"). Como escreveu Pessoa, "primeiro estranha-se, depois entranha-se."