Herbert e Mahut conquistam o ATP Finals e dão mais um passo rumo à eternidade

Um ano depois de terem falhado a conversão de um championship point, Pierre-Hughes Herbert e Nicolas Mahut afogaram as mágoas da melhor forma possível ao completarem uma semana de ouro em Londres — em que não perderam qualquer set — para agarrarem o título de campeões do Nitto ATP Finals.

Se na mitologia grega era Aquiles quem sonhava com a eternidade, no ténis a dupla francesa está cada vez mais próxima de a alcançar: com esta conquista, Herbert e Mahut já só têm por vencer três dos grandes títulos do calendário.

Uma coisa de cada vez: a vitória na O2 Arena de Londres foi conseguida graças aos autoritários parciais de 6-3 e 6-4 sobre Raven Klaasen e Michael Venus.

Com ela, os dois tenistas gauleses enfatizaram um reatar de forças “em grande” — duas semanas antes ganharam, em casa, o ATP Masters 1000 de Paris-Bercy — depois de uma temporada atípica: em abril, pouco tempo depois de terem completado o Grand Slam de Carreira no Australian Open, seguiram caminhos distintos devido à vontade de Pierre-Hugues Herbert em apostar mais na variante de singulares.

Nicolas Mahut ficou chateado, o mundo do ténis em choque e a situação ainda mais estranha se tornou quando Pierre-Hugues Herbert surpreendeu ao ir a jogo com Andy Murray em Wimbledon. A parceria foi naturalmente muito amplificada e acompanhada pela imprensa, mas quem brilhou foi Mahut: ao lado do também francês Edouard Roger-Vasselin chegou à final e só não conquistou o título porque acabou derrotado numa das finais mais épicas da história dos torneios do Grand Slam, ganha por Juan Sebastian Cabal e Robert Farah.

Durante a pausa, Herbert e Mahut esclareceram que continuavam a planear jogar juntos nos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2020 (assumidamente o principal objetivo da dupla), mas o regresso acabou por se dar mais cedo. Na verdade, bem a tempo de os colocar cada vez mais próximos da tal eternidade: com as vitórias em Melbourne, Paris e Londres já só perseguem três dos grandes títulos do circuito: dois em torneios Masters 1000 (na terra batida de Madrid e no piso rápido de Xangai, onde não jogaram juntos) e a tal medalha de ouro olímpica.

Na semana em que os lendários Bob e Mike Bryan anunciaram que vão pendurar as raquetes em 2020 a variante de pares parece estar bem entregue.

E ainda aí vêm as Davis Cup Finals, onde podem ter um grande papel a dizer…

Gaspar Ribeiro Lança
gasparlanca@raquetc.com | Dar palavras a um encontro de dois, três, quatro ou cinco sets, com ou sem tie-break. Dar palavras a histórias, a recordes. Dar ténis a todos aqueles que o queiram. E mais, sempre mais — por isso depois chegaram o padel, o ténis de mesa e o squash. E assim cá estamos, no Raquetc ("raquetecétera"). Como escreveu Pessoa, "primeiro estranha-se, depois entranha-se."