Francisca Jorge e o terceiro título: “A experiência e o querer muito ganhar fizeram-me dar a volta”

Lousada Indoor Open

Francisca Jorge dá-se muito bem com os courts do Lousada Ténis Atlântico e depois de lá ter conquistado dois dos três títulos de campeã nacional de juniores (em 2017 e 2018), em terra batida, foi mais longe e ergueu os três primeiros títulos de singulares no circuito da Federação Internacional de Ténis — o último dos quais conquistado este domingo e, tal como os dois anteriores, nos courts de piso rápido indoor.

“Lousada é um lugar muito especial para mim”, contou em declarações ao Raquetc. “Já fui muito feliz aqui e aparentemente estou numa boa onda. Não sei se é por ser perto de casa e ter pessoas conhecidas a darem-me apoio e uma força extra… Não sei bem explicar, mas o Rafa [Nadal] também já ganhou por 12 vezes Roland Garros e ninguém consegue explicar muito bem como é que é possível”, desabafou com a boa disposição que a caracteriza.

Natural de Guimarães, a jogadora portuguesa de 19 anos (número 525 no ranking WTA) esteve praticamente irrepreensível ao longo da semana e só no encontro decisivo cedeu um parcial. Na análise aos vários duelos que disputou e venceu, Francisca Jorge disse ter elevado o nível de encontro para encontro.

“Comecei bem a semana, com uma vitória sólida (derrotou a qualifier Darya Schwartzman por 6-2 e 6-3) que me deu força para os encontro seguintes e senti que fui melhorando dia a dia, o que foi muito positivo porque me deu confiança para uma semana comprida e principalmente para a final, que foi um jogo muito duro. Ela [Carole Monnet] era uma adversária muito difícil, super aguerrida e que não dava um ponto de borla. Fez com que eu tivesse de dar 300% para conseguir dar a volta por cima”, comentou.

Sobre esse encontro decisivo, em que começou por perder o primeiro set mas conseguiu dar a volta para agarrar o troféu mais desejado, a tricampeã nacional absoluta considerou que “a experiência e o querer muito ganhar aquele jogo fizeram-me acreditar e puxar por mim para dar a volta ao resultado e lutar pelo terceiro set. Já me sentia muito cansada de toda a semana mas tive de ignorar essas sensações e agarrar-me ao jogo como podia. Não o podia deixar fugir.”

Questionada sobre o que tinha alcançado no mesmo palco há um ano — venceu os 10 encontros que disputou para sair de Lousada com os dois primeiros títulos de singulares da carreira —, Francisca Jorge não escondeu que “essas memórias vieram-me à cabeça, não só por terem sido os meus primeiros títulos a este nível mas por terem acontecido neste sítio. Não digo que tenha sentido a obrigação de ganhar mas pus em mim a “pressão” de querer fazer igual ou melhor.”

E agora… A segunda e última semana. O Lousada Indoor Open II já arrancou mas ao contrário do que aconteceu há oito dias a melhor tenista portuguesa da atualidade não é a primeira cabeça de série — surge na quinta posição. Como a própria diz, “esta semana está mais forte, pelo menos em termos da classificação das jogadoras. Sei que estou numa onda de confiança mas isso não me garante que vá ter jogos fáceis porque não existem. Vou continuar a dar o meu melhor para ultrapassar cada batalha como se fosse a última.”

Gaspar Ribeiro Lança
gasparlanca@raquetc.com | Dar palavras a um encontro de dois, três, quatro ou cinco sets, com ou sem tie-break. Dar palavras a histórias, a recordes. Dar ténis a todos aqueles que o queiram. E mais, sempre mais — por isso depois chegaram o padel, o ténis de mesa e o squash. E assim cá estamos, no Raquetc ("raquetecétera"). Como escreveu Pessoa, "primeiro estranha-se, depois entranha-se."