Kim Clijsters surpreende e regressa ao circuito aos 36 anos

Fotografia: US Open

A ex-número um mundial Kim Clijsters anunciou esta quinta-feira que vai regressar ao circuito WTA. Aos 36 anos de idade, a vencedora de quatro títulos do Grand Slam vai voltar aos courts já em 2020.

O anúncio foi feito pelo website oficial do WTA Tour, o circuito mundial feminino, que publicou uma entrevista exclusiva com a jogadora belga. “Não sinto que queira provar alguma coisa. Para mim, é um desafio. Tenho amigos que disseram ‘quero correr a maratona de Nova Iorque antes de fazer 50 anos’, enquanto eu adoro jogar ténis.”

Num anúncio que surpreendeu — e muito — a comunidade tenística, Clijsters afirmou que “o meu amor pelo desporto ainda está bem vivo e quero desafiar-me e voltar a ser forte outra vez. Esta é a minha maratona.”

O regresso à competição no início de 2020 será o segundo da carreira da tenista belga, que deu os primeiros passos no circuito em 1997 (ano em que se tornou profissional) e chegou ao topo do ranking em 2003. O primeiro de quatro “Majors” foi conquistado em 2005 e dois anos depois chegou a primeira grande surpresa do percurso de Clijsters, que se retirou aos 23 anos devido a várias lesões e com o desejo de começar uma família.

Depois de dar à luz a primeira filha, Jada, Kim Clijsters regressou “com tudo” no verão de 2009: jogou os primeiros torneios em agosto, em Cincinnati e Toronto, e surpreendeu tudo e todos ao conquistar o US Open com vitórias sobre Venus Williams, Li Na, Serena Wiliams e Caroline Wozniacki numa altura em que ainda não tinha ranking.

Um ano depois, revalidou o troféu e em janeiro de 2011 chegou ao primeiro e único título desta dimensão fora dos Estados Unidos da América, ao vencer o Australian Open.

Quando, no final de 2012, anunciou o fim da carreira, parecia ser um adeus definitivo. Mas agora, sete anos depois, com muita vontade de continuar um percurso feito de 41 títulos em singulares (entre os quais quatro Grand Slams e três finais no WTA Finals) e 20 semanas passadas no topo do ranking, mais dois filhos, uma academia de ténis cada vez mais desenvolvida e bastante experiência enquanto comentadora, Kim Clijsters está pronta para regressar pela segunda vez.

“Ao longo dos últimos anos houve algumas vezes em que pensei nisso mas depois dizia sempre ‘não, é impossível. A minha vida é aqui, em casa, com a minha família’ e não me via a mudar isso.” Mas o regresso às aulas deu-lhe mais tempo livre e entre os treinos que dava na academia começou a trabalhar o físico — que revelou ser a grande prioridade nas últimas semanas — e a aperfeiçoar a técnica.

Há, no entanto, uma grande razão para a já veterana belga se sentir confortável a fazê-lo. “A nossa vida está muito orientada em torno do que os miúdos fazem, sejam hobbies ou as aulas, e não quero que isso mude, simplesmente vou estar fora de casa algumas vezes. Se sentir que interfere com a vida deles então não jogo e essa é uma das grandes vantagens de um sistema que não sabia que existia — o facto de por ter sido número 1, por ter ganho um torneio do Grand Slam poder regressar e pedir wild cards. Não estou restrita a um número de torneios que tenho de jogar e ouvir que não tenho de o fazer é, neste momento, um bónus.”

Última atualização às 13h57.

Avatar
Adepto do desporto em geral mas com especial carinho pela "bolinha saltitona". O bichinho surgiu ainda Rafael Nadal não tinha mangas e não mais saiu. Chegada a oportunidade de me juntar ao Raquetc, juntamente com a minha ambição de ser jornalista, foi fácil aceitar juntar-me à equipa.