US Open. Nadal vence final dramática e “cola-se” ao recorde de títulos em Grand Slams

Brilhante, dramática, inesquecível, histórica. Quando menos se esperava, a final de singulares masculinos do US Open assumiu contornos épicos e teve de tudo um pouco, sendo necessárias quatro horas e cinquenta e dois minutos para que Rafael Nadal — o grande favorito — derrotasse Daniil Medvedev — o vilão que por pouco não virou campeão — com os parciais de 7-5, 6-3, 5-7, 4-6 e 6-4.

Aos 33 anos, o maiorquino conquista o 19.º título da carreira em torneios do Grand Slam e está mais próximo do que nunca de alcançar o recorde detido por Roger Federer, que soma 20 troféus de campeão.

Um mês depois de se terem encontrado numa final que viria a ser de sentido único, Nadal e Medvedev foram protagonistas de uma das melhores decisões não só da história do US Open (e também a terceira mais longa) como de todos os torneios do Grand Slam.

Porque ao domínio inicial do número dois do mundo — que chegou a liderar por dois sets e um break — seguiu-se uma recuperação notável do quinto classificado.

A viver um verão impressionante que o viu chegar às finais de Washington, Cincinnati e Montreal (a única que conseguiu vencer) antes de surpreender ainda mais em Nova Iorque, Medvedev encontrou forças e disponibilidade psicológica quando já parecia ter o “tanque” vazio. A disputar a primeira final da carreira em Grand Slams, o russo que foi vilão ao longo da primeira semana em Nova Iorque teve, de repente, mais de 20.000 espetadores a gritarem o seu nome e levou avante a luta, primeiro ao vencer o terceiro set e depois o quarto para dar ao duelo contornos inesperados.

Apesar da tensão do momento, os dois jogadores continuaram a ser protagonistas do melhor ténis que se poderia imaginar e a tensão só aumentou — primeiro porque Medvedev conseguiu dispor de um break point para ganhar uma liderança significativa e depois porque Nadal conseguiu inverter a situação e chegar a uma vantagem de 5-2 que por um ponto apenas não se transformou… Num 5-5.

Até que, com muito espírito de sacrifício, coragem e eficácia, a vitória foi mesmo do “Touro” maiorquino. Estavam decorridas 4h51 — que por três minutos não tornaram esta na final mais longa da história do torneio — quando Rafael Nadal se deixou cair em pleno Artur Ashe Stadium, o maior court de ténis do mundo, para celebrar a quarta conquista do US Open.

Se em Nova Iorque se trata da quarta vitória de Rafael Nadal, em torneios do Grand Slam é a 19.ª vez que coloca as mãos no mais desejado dos troféus. E com este resultado torna-se no primeiro jogador da história a conquistar cinco títulos depois de celebrar o 30.º aniversário — nem Roger Federer, nem Novak Djokovic (pelo menos para já), nem Rod Laver, nem Ken Rosewall o conseguiram, estando empatados no segundo lugar, com quatro.

Atualizado às 02h31.

Gaspar Ribeiro Lança
gasparlanca@raquetc.com | Dar palavras a um encontro de dois, três, quatro ou cinco sets, com ou sem tie-break. Dar palavras a recordes, a histórias. Dar ténis a todos aqueles que o queiram. E mais, sempre mais. Por isso depois chegaram o padel e o squash. E assim cá estamos, no RAQUETC ("raquetecétera"). Como escreveu Fernando Pessoa nos anos 20, "primeiro estranha-se, depois entranha-se."