Daniil Medvedev, o “bad boy” que explodiu no verão está na final do US Open

Lufada de ar fresco no circuito masculino: aos 23 anos, Daniil Medvedev tornou-se no primeiro jogador a garantir a presença na final de singulares masculinos do US Open, um feito que há um par de meses poderia constituir uma das maiores surpresas da década mas que agora surge como (quase) natural — e esse é o maior elogio que se lhe pode fazer.

A protagonizar um verão absolutamente notável, o jovem russo acrescentou ao portfólio a única final que lhe faltava e em grande estilo: derrotou Grigor Dimitrov em sets diretos (…) para somar a sexta vitória em Flushing Meadows, palco onde tem desempenhado o papel de bad boy premeditado ao transformar os apupos do público em energia para superar situações adversas.

Quinto cabeça de série na “Big Apple”, Medvedev realizou uma exibição frouxa, longe do nível a que habituou o mundo do ténis nas últimas semanas. Mas os vencedores não se fazem apenas de ténis espetacular e na madrugada deste sábado o russo deixou-o bem evidente, ao provar que a assertividade é mais importante para superar talvez a maior surpresa do torneio — um Grigor Dimitrov transformado, que tinha começado a temporada norte-americana de piso rápido a perder para um jogador fora do top 400 e na última quinzena reencontrou o ténis que o ajudou a ser campeão do ATP Finals em 2017.

Depois das finais em Washington, Montreal e do título em Toronto, Daniil Medvedev chega, assim, à quarta decisão consecutiva e, naturalmente, a mais importante da carreira, que faz dele o primeiro tenista da tão acompanhada e promovida NextGen ATP.

O triunfo desta madrugada foi o 50.º do jogador natural de Moscovo só em 2019, ele que assim se torna no primeiro jogador — homem ou mulher — a celebrar por tantas vezes este ano e que com este resultado já tem garantida a ascensão ao primeiro lugar entre os “comuns mortais”, que é como quem diz, à quarta posição do ranking só atrás de Novak Djokovic, Rafael Nadal e Roger Federer.

Outra surpresa ou um dos nomes do costume

Com quase 48 horas de descanso pela frente, Daniil Medvedev fica agora à espera do vencedor da segunda e última meia-final (que tal como a primeira será disputada sob a cobertura do Artur Ashe Stadium).

O italiano Matteo Berrettini quer continuar a quebrar barreiras mas tem um duro desafio pela frente, de nome Rafael Nadal. O maiorquino foi, pelo segundo ano consecutivo, o único tenista a alcançar as meias-finais nos quatro torneios do Grand Slam e tem nesta edição do US Open uma oportunidade de ouro de chegar ao 19.º título, que lhe permitiria ficar mais perto do que nunca do recorde (20) detido por Roger Federer.

Gaspar Ribeiro Lança
gasparlanca@raquetc.com | Dar palavras a um encontro de dois, três, quatro ou cinco sets, com ou sem tie-break. Dar palavras a recordes, a histórias. Dar ténis a todos aqueles que o queiram. E mais, sempre mais. Por isso depois chegaram o padel e o squash. E assim cá estamos, no RAQUETC ("raquetecétera"). Como escreveu Fernando Pessoa nos anos 20, "primeiro estranha-se, depois entranha-se."