João Sousa travado na segunda ronda de Halle pelo campeão em título Borna Coric

Terminou esta quarta-feira a participação de João Sousa no Noventi Open. Depois de três vitórias que lhe permitiram ultrapassar a fase de qualificação rumo à segunda ronda do quadro principal, o número um nacional foi travado numa grande batalha pelo campeão em título em Halle, na Alemanha.

Frente a frente com Borna Coric pela primeira vez na carreira, o tenista português não conseguiu prolongar a série de vitórias frente à nova geração do ténis masculino — nas rondas anteriores tinha deixado pelo caminho Jannik Sinner (17 anos), Miomir Kecmanovic (19) e Hubert Hurkacz (22) — e apesar da excelente réplica oferecida caiu perante o número 14 do mundo ao fim de três equilibrados sets: 7-6(4), 5-7 e 7-6(4) foram os parciais, ao cabo de duas horas e 55 minutos de maratona.

No primeiro set, Sousa foi o primeiro a quebrar e serviu a 4-2 para tentar dilatar a vantagem, mas a liderança foi sol de pouca dura e Coric acabou por conseguir adiar a decisão até ao tie-break. Também aí foi o português de 30 anos quem entrou melhor, ao agarrar o primeiro mini-break para ficar com 2-0 de vantagem, mas uma vez recuperado o jovem croata de 22 anos saltou para a frente do marcador e não mais perdeu terreno, vencendo sete dos últimos nove pontos para ganhar uma preciosa vantagem depois de alinhar 14 winners (Sousa fez 8) contra apenas 7 erros não forçados (11 para o português).

A luta, no entanto, não foi dada por vencida e mesmo se Coric aparentava ganhar cada vez mais ritmo e consistência — que o ajudaram a conquistar dois break points logo ao segundo jogo — Sousa conseguiu manter-se a par e passo no marcador. A luta e a paciência do pupilo de Frederico Marques foram recompensadas e ao 5-5 surgiram as primeiras oportunidades. O campeão do Millennium Estoril Open 2018 não as aproveitou, mas à quarta tentativa lá foi bem sucedido e depois, com um jogo de serviço irrepreensível (consumado com um ás), confirmou a ida a três sets.

Aproveitando cada vez mais a utlização do slice que complicou e de que maneira o ritmo de Borna Coric que prefere bater bolas no fundo do court e com pancadas chapadas, João Sousa foi gradualmente puxando para o seu lado as rédeas do embate e contou também com um desconforto do croata, que ao 1-0 foi assistido ao lado esquerdo das costas e, apesar de ter dito que se tratava apenas de uma dor e não de um esticão, requereu mesmo assistência médica ao 2-1.

A partir daí o ‘Conquistador’ foi capaz de se manter concentrado mentalmente depois de uma pausa de cerca de cinco minutos e foi mantendo os seus jogos de serviço com relativa tranquilidade, sendo que do outro lado da rede também o atleta natural de Zagreb, ainda que com mais dificuldades (teve de anular três pontos de break num só jogo) e claramente limitado, ia vencendo a maior parte dos pontos disputados no seu serviço e tal acabou por redundar num grande equilíbrio de forças.

Acabou por ser novamente num tiebreak, já com o teto fechado (tal aconteceu a 5-5), que tudo se decidiu: depois da derrota no desempate do primeiro parcial, o número um português não conseguiu mais uma vez levar a melhor na “morte súbita” perante o pressing insistente de Borna Coric no que foi praticamente uma “fotocópia” do primeiro tiebreak em termos de marcha do marcador e disse então adeus à prova germânica de forma algo devastadora depois de uma das melhores exibições realizadas em 2019.

Esta foi a segunda vez que João Sousa alcançou a segunda ronda do evento de Halle e a primeira desde que foi promovido à categoria de ATP 500. Encerrada a participação, segue-se a viagem até Antália, na Turquia, a última paragem na relva antes de chegar ao All England Club, para disputar o quadro principal do torneio de Wimbledon.

Gaspar Ribeiro Lança
gasparlanca@raquetc.com | Dar palavras a um encontro de dois, três, quatro ou cinco sets, com ou sem tie-break. Dar palavras a recordes, a histórias. Dar ténis a todos aqueles que o queiram. E mais, sempre mais. Por isso depois chegaram o padel e o squash. E assim cá estamos, no RAQUETC ("raquetecétera"). Como escreveu Fernando Pessoa nos anos 20, "primeiro estranha-se, depois entranha-se."