Ashleigh Barty vence encontro surreal e está na final de Roland Garros

A australiana Ashleigh Barty, de 23 anos de idade e a disputar as suas primeiras meias-finais da carreira em torneios do Grand Slam, qualificou-se na manhã desta sexta-feira para a grande final do Major francês após ter saído por cima de um embate de loucos.

A jovem oriunda de Ipswich, que já no Australian Open deste ano havia causado furor ao chegar aos quartos de final com boas vitórias pelo caminho (contra Maria Sharapova, por exemplo) e só sucumbiu perante a vice-campeã Petra Kvitova, superou um desafio surreal e impróprio para cardíacos contra Amanda Anisimova através dos parciais de 6-7(4), 6-3 e 6-3.

O início de encontro foi, efetivamente, o melhor possível para Barty: Anisimova não conseguiu impor o seu ritmo frenético e isso deixou muitas vulnerabilidades ao seu jogo que foram prontamente aproveitadas pela sua mais cotada oponente, que num ápice se viu a vencer por 5-0 e com dois break points no jogo de serviço da sua mais jovem adversária.

Só que a partir desse momento, a campeã do WTA de Bogotá “acordou” e de que maneira: conquistou sete dos oito jogos seguintes para se adiantar no marcador com um tiebreak em que também esteve em desvantagem (2-4) mas conseguiu uma boa reviravolta rumo ao 7-4. Refira-se, aliás, que desde o 2-4 a teenager norte-americana venceu 17 pontos consecutivos(!) para ficar com 3-0 de vantagem no segundo set.

Contudo, Barty não se tinha dado por vencida e lutou com todas as suas forças, “remando contra a maré” que vinha do outro lado do court e sempre à espreita de uma janela de oportunidade que lhe fosse concedida por Amanda Anisimova. E foi isso que aconteceu: aparentemente menos fresca fisicamente e novamente perturbada pelo estilo de jogo manhoso da tenista aussie, Anisimova acabou por ceder perante “Ash” Barty e tal facto permitiu uma recuperação excelente consumada com a obtenção de seis jogos consecutivos.

Chegadas à hora de todas as decisões, ambas as protagonistas mantiveram os seus primeiros jogos de serviço mas logo no terceiro jogo a 51.ª colocada do ranking WTA conseguiu colocar-se com um ponto de break à disposição e aproveitou essa oportunidade para ficar com 2-1, um break que acabou por ser de seguida devolvido pela atual número oito mundial.

A partir daí, Ashleigh Barty começou a criar um ascendente algo semelhante ao que já havia construído no set anterior e conseguiu então arrecadar quatro jogos consecutivos que lhe deram um avanço decisivo de 5-2. Embora ainda tenha salvo três match points no seu jogo de serviço e dois no de Barty, Amanda Anisimova não conseguiu evitar o que parecia inevitável e à sexta tentativa foi o ‘fim da linha’ para este oscilante e épico encontro.

‘Ash’ Barty carimba assim o passaporte para a sua primeira final de singulares em provas Major (já foi vice-campeão por três ocasiões (Australian Open e Wimbledon, em 2013, e Roland Garros 2017), sabendo desde já que irá subir a um novo máximo de carreira, o terceiro lugar do ranking, que poderá ser a vice-liderança caso triunfe na final de amanhã, sábado, sobre a checa Marketa Vondrousova (38.ª WTA).

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Natural da Ilha do Pico, Açores. Estudante do 3.º ano do curso de Direito da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Amante e seguidor de ténis desde a adolescência.