Depois do Grand Slam de finais em pares, Ashleigh Barty está a começar a replicar o sucesso em singulares

Começou no ténis, partiu para o cricket quando já tinha finais do Grand Slam disputadas e depois voltou ao desporto pelo qual se apaixonou em primeiro lugar. Aos 23 anos, Ashleigh Barty já tem uma grande história para contar e se os sucessos se espalham pelas duas variantes, era sobretudo na de pares que tinha mais alegrias.

Agora, começa a replicar esse sucesso na variante individual — e já tem garantida a estreia no top 5 do mundo.

Num dos encontros dos quartos de final que foram “empurrados” para esta quinta-feira devido à chuva — e que levaram ao consequente adiamento das meias-finais para sexta-feira —, a jovem australiana derrotou Madison Keys, por 6-3 e 7-5, para confirmar o favoritismo que levava para o Court Suzanne-Lenglen e chegar mais longe do que nunca em torneios do Grand Slam de singulares.

O nome de Ashleigh Barty já há muito deixou de ser estranho aos que acompanham, com maior ou menor pormenor, o circuito feminino, mas nos singulares a jovem natural de Queensland ainda não tinha conseguido igualar o sucesso dos pares (apesar de já contar com quatro títulos e ter partido para este torneio como número oito do mundo), onde muito nova, aos 17 anos, chegou às finais do Australian Open, de Wimbledon e do US Open — torneio que entretanto venceu, no final da última época.

Até que este ano, e ao mesmo tempo que se mantém focada também nos pares (vem da conquista em Roma ao lado de Victoria Azarenka), conseguiu juntar a peça que lhe faltava. Começou logo em casa, na Austrália, ao chegar aos quartos de final pela primeira vez em 22 tentativas, e agora está a conhecer uma nova dimensão em Paris, onde antes de derrotar Keys já tinha deixado pelo caminho Jessica Pegula (6-3 e 6-3), Danielle Collins (7-5 e 6-1), Andrea Petkovic (6-3 e 6-1) e Sofia Kenin (6-3, 3-6 e 6-0).

Agora, apurada para as meias-finais pela primeira vez, tem pela frente um novo desafio — literalmente: a próxima adversária é a sensação norte-americana Amanda Anisimova, que aos 17 anos superou a campeã em título e ex-número um mundial, Simona Halep, para chegar, também ela, às primeiras meias-finais da carreira em provas do Grand Slam.

Independentemente do que aconteça daqui para a frente, sabe-se que no sábado haverá uma nova campeã de Majors: Johanna KontaMarketa Vondrousova são as outras semifinalistas e também nunca disputaram uma final.

Gaspar Ribeiro Lança
gasparlanca@raquetc.com | Dar palavras a um encontro de dois, três, quatro ou cinco sets, com ou sem tie-break. Dar palavras a recordes, a histórias. Dar ténis a todos aqueles que o queiram. E mais, sempre mais. Por isso depois chegaram o padel e o squash. E assim cá estamos, no RAQUETC ("raquetecétera"). Como escreveu Fernando Pessoa nos anos 20, "primeiro estranha-se, depois entranha-se."