Prodígio Amanda Anisimova completa quartos de final femininos de Roland Garros

Amanda Anisimova tem apenas 17 anos mas já muitas razões para sorrir: é vista como uma das caras da renovação do ténis nos Estados Unidos da América, já tem um título WTA no currículo e esta segunda-feira carimbou, pela primeira vez na carreira, o apuramento para os quartos de final de um torneio do Grand Slam.

Filha de pais russos, admira Maria Sharapova e tal como ela também viajou muita nova para os EUA, onde Olga Anisimova e Konstantin Anisimov sonhavam proporcionar melhores oportunidades às duas filhas. Maria, a mais velha, conseguiu ter uma bolsa e jogar ténis enquanto estudava na Universidade de Pensilvânia, deixando para a irmã o cumprir de um sonho.

Apontada desde cedo como uma das grandes promessas da nova geração — aos 11 anos já treinava com o conceituado Nick Saviano —, Amanda Anisimova não demorou a transformar o potencial em resultados: chegou ao segundo lugar do ranking mundial de juniores em junho de 2016, depois de ser vice-campeã de Roland Garros, e despediu-se desse circuito com chave de ouro — foi campeã do US Open um ano mais tarde.

Detentora de uma esquerda a duas mãos poderosíssima, que se destaca pela forma como consegue explorar a abertura de ângulo para deixar as adversárias em dificuldade, a jogadora nascida em New Jersey voltou a dar provas da facilidade com que joga ao arrasar a espanhola Aliona Bolsova — outra das grandes surpresas do torneio — em apenas 69 minutos: 6-3 e 6-0 foram os parciais de uma vitória que cozinhou com 33 winners, quase 50% dos 70 pontos que acabou por conquistar. Importante também é fazer referência aos oito break points que enfrentou… e salvou.

Número 51 do ranking WTA (já tem garantida a ascensão ao 35.º posto…), Amanda Anisimova chega assim aos quartos de final de um torneio do Grand Slam pela primeira vez, cinco meses depois de, na Austrália, se ter estreado em oitavos de final (em ambos os casos deixou pelo caminho Aryna Sabalenka, uma das melhores jogadoras da atualidade).

O próximo duelo irá, ao que tudo indica, constituir o maior desafio da campanha para a jovem norte-americana, que vai ter pela frente nada mais, nada menos do que a campeã em título Simona Halep. Tal como ela, também a tenista romena não perdeu tempo para inscrever o nome nos quartos de final.

E por falar nisso, eis o alinhamento:

[14] Madison Keys vs. [8] Ashleigh Barty
[3] Simona Halep vs. Amanda Anisimova
[7] Sloane Stephens vs. [26] Johanna Konta
Marketa Vondrousova vs. [31] Petra Martic

Das oito jogadoras ainda em prova, três representam os Estados Unidos da América (Stephens, Keys e Anisimova). As restantes dividem-se de igual forma entre Roménia (Halep), Austrália (Barty) Grã-Bretanha (Konta), República Checa (Vondrousova) e Croácia (Martic).

Gaspar Ribeiro Lança
gasparlanca@raquetc.com | Dar palavras a um encontro de dois, três, quatro ou cinco sets, com ou sem tie-break. Dar palavras a recordes, a histórias. Dar ténis a todos aqueles que o queiram. E mais, sempre mais. Por isso depois chegaram o padel e o squash. E assim cá estamos, no RAQUETC ("raquetecétera"). Como escreveu Fernando Pessoa nos anos 20, "primeiro estranha-se, depois entranha-se."