Tsitsipas deixa bonita homenagem a Wawrinka e reflete sobre “algo que não consigo explicar”

Cinco sets, cinco horas e oito minutos de jogo. Stefanos Tsitsipas e Stanislas Wawrinka batalharam para lá dos limites no Court Suzanne-Lenglen até se conhecer um vencedor e no final, derrotado, o grego fez uso das redes sociais para refletir sobre a batalha e deixar muitos elogios ao adversário.

Tudo começou no Twitter, onde o número seis do mundo e campeão do Millennium Estoril Open partilhou uma simples mas impactante mensagem: “Ever tried. Ever failed. No Matter. Try Again. Fail Again. Fail Better. Inspirado por Stan Wawrinka.”

Tratou-se nada mais, nada menos do que uma referência ao poema de Samuel Beckett que o tenista suíço tem tatuado no braço esquerdo no início de 2014 — quando ainda estava longe de imaginar que viria a conquistar três títulos em torneios do Grand Slam.

Como sempre, a tradução não lhe faz justiça. Mas o excerto pode ser lido como “Tenta. Fracassa. Não importa. Tenta outra vez. Fracassa de novo. Fracassa melhor.”

Depois, no Instagram, Tsitsipas deixou uma mensagem mais extensa. “Hoje senti algo que não consigo explicar. Foi a primeira vez em toda a minha vida, nos meus 20 anos de existência, que senti aquela “aura”, a definição real da palavra competição. Não foi uma competição qualquer, desta vez foi diferente de todas as outras, de todas as batalhas, de todos os momentos passados num campo de ténis. Há algo sobre o encontro de hoje que não vou ser capaz de explicar.”

“É uma sensação que me faz apreciar o desporto que escolhi perseguir como carreira. O gosto amargo desta derrota é algo inexplicável. O Stanislas Wawrinka torna o nosso desporto real e pragmático. É algo raro de encontrar no mundo em que estamos”, continuou. “Algo único. Há muito charme e carisma nisso. Sofremos os dois, fomos os dois para lá dos nossos limites, experienciámos os dois a sorte e o nosso destino foi desenhado naquele court parisiense depois de cinco horas de sofrimento físico e mental. Não sei mesmo se o que sinto agora é positivo ou negativo. Não há um efeito bipolar. Hoje aprendi algo que nenhuma escola, nenhuma sala de aula, nenhum professor seriam capazes de ensinar. É o chamado viver a vida!”

Antes, o jovem tenista grego tinha aparecido de tal forma exausto na conferência de imprensa que a troca de palavras com os jornalistas fez-se apenas de sete perguntas e sete curtíssimas respostas, com os responsáveis a sentirem necessidade de interromper o diálogo para darem descanso ao campeão do Millennium Estoril Open.

Gaspar Ribeiro Lança
gasparlanca@raquetc.com | Dar palavras a um encontro de dois, três, quatro ou cinco sets, com ou sem tie-break. Dar palavras a recordes, a histórias. Dar ténis a todos aqueles que o queiram. E mais, sempre mais. Por isso depois chegaram o padel e o squash. E assim cá estamos, no RAQUETC ("raquetecétera"). Como escreveu Fernando Pessoa nos anos 20, "primeiro estranha-se, depois entranha-se."