Sem confiança, a primeira ronda de Roland Garros tornou-se uma barreira impossível para João Sousa

Fotografia: António Borga

PARIS, França — O adversário e as condições de jogo, lentas e pesadas, exigiam concentração máxima, mas João Sousa não conseguiu alinhar o pensamento com a exigência da ocasião e caiu à primeira no quadro principal de singulares de Roland Garros.

Sendo a confiança o ingrediente necessário para poder almejar a vitória no reencontro desta segunda-feira com Pablo Carreño Busta — contra quem liderava o frente a frente, por 2-1 —, foi uma questão de tempo até que, sem ela, o tempo lhe retirasse as poucas hipóteses com que ficou e ditasse a derrota, consumada com os parciais de 6-3, 6-1 e 6-2.

Num duelo entre campeões do Millennium Estoril Open, o contraste de sensações foi intensificado pelo avançar do marcador, que progrediu quase sempre com trocas de bolas muito curtas — se Sousa, de um lado, perdeu a pouca confiança que ainda tinha e reduziu drasticamente os níveis de paciência, eficácia e agressividade, o que se refletiu desde logo na pancada de serviço (ganhou apenas 60% dos pontos com o primeiro “saque”… e 32% no segundo); já Carreño Busta, fez uso de tudo para progredir: claramente mais à vontade num court que é a sua praia, o tenista espanhol cometeu pouquíssimos erros e aproveitou o leque de pancadas e a experiência para desgastar o adversário com a sua consistência do fundo do court.

E assim num dia não, que o levou a desabafar continuamente com o treinador, Frederico Marques, enquanto via fugir-lhe da raquete a esperança, o melhor tenista português de todos os tempos acabou por só passar 103 minutos em campo.

Esta é a segunda vez consecutiva que João Sousa perde na etapa inaugural de Roland Garros, onde tem como melhores resultados a segunda eliminatória alcançada em 2013, 2015, 2016 e 2017. A classificação atual (70.º ATP) não deverá sofrer muitas alterações, uma vez que há um ano também tinha sido derrotado nesta fase, razão pela qual um resultado positivo no encontro desta segunda-feira teria servido de degrau nessa mesma tabela classificativa e, sobretudo, extremamente útil para recuperar alguma da confiança.

Com a derrota em singulares, resta agora ao tenista português de 30 anos a participação na variante de pares. Novamente ao lado de Leonardo Mayer, João Sousa defronta, pela quarta vez esta época (!), Henri Kontinen e John Peers, contra quem perdeu nas meias-finais do Australian Open mas entretanto já venceu… por duas vezes.

Última atualização às 13h28.

Gaspar Ribeiro Lança
gasparlanca@raquetc.com | Dar palavras a um encontro de dois, três, quatro ou cinco sets, com ou sem tie-break. Dar palavras a histórias, a recordes. Dar ténis a todos aqueles que o queiram. E mais, sempre mais — por isso depois chegaram o padel, o ténis de mesa e o squash. E assim cá estamos, no Raquetc ("raquetecétera"). Como escreveu Pessoa, "primeiro estranha-se, depois entranha-se."