Tiago Cação: “Estas vitórias trazem-me confiança e fazem-me quebrar uma barreira mental”

Fotografia: Beatriz Ruivo/Lisboa Belém Open

LISBOATiago Cação foi o primeiro tenista português a somar uma vitória na terceira edição do Lisboa Belém Open. Uma semana depois de o ter feito em Braga, o penichense voltou a ser feliz e na análise ao primeiro encontro no CIF — Club Internacional de Foot-Ball mostrou-se muito feliz com o triunfo.

“Estou a estrear-me da melhor maneira possível neste circuito [de torneios Challenger em Portugal], o que está a trazer-me bastante confiança”, começou por referir o jogador do Centro de Alto Rendimento na conferência de imprensa que aconteceu pouco depois de vencer um encontro em que começou por perder o primeiro set.

“A este nível temos de aproveitar logo as oportunidades que temos, temos de ser nós a pegar no ponto porque se deixamos o adversário controlar em 95% das vezes vamos acabar por perder”, acrescentou ainda Tiago Cação, que revelou algum do trabalho realizado na pré-época, com a equipa da Federação Portuguesa de Ténis, para preencher lacunas no seu jogo: “Treinei o jogo de rede para procurar fazer pressão no adversário quando a bola vem curta, tentar subir à rede se conseguir e para já estou a sentir-me bem.”

Sobre a prestação do adversário, o mais credenciado Facundo Arguello, Tiago Cação viu-o “um bocado instável. A equipa dos apanha-bolas não estava muito coordenada e ele deixou-se afetar muito. Eu tentei fazer sempre o meu trabalho e ficar focado em mim.”

O jogador português de 21 anos voltou a confessar que se deixou afetar demasiado pelas alterações levadas a cabo pela Federação Internacional de Ténis aos torneios de categoria inferior, mas revelou que agora está “a sentir-me a trabalhar melhor, mais confiante e no bom caminho.”

E diz estar a quebrar barreiras importantes. “Vitórias no circuito Challenger ajudam-me bastante a perder aquele limite mental que se tem, isto funciona muito por barreiras mentais: primeiro ganhar uma ronda nos Futures, depois duas, meias-finais, ganhar o torneio e nos Challengers é o mesmo: ganhar uma ronda, depois ganhar a um cabeça de série, voltar a ganhar e sinto que estou a quebrar esse limite que tenho e estas vitórias estão obviamente a trazer-me confiança.”

Gaspar Ribeiro Lança
gasparlanca@raquetc.com | Dar palavras a um encontro de dois, três, quatro ou cinco sets, com ou sem tie-break. Dar palavras a histórias, a recordes. Dar ténis a todos aqueles que o queiram. E mais, sempre mais — por isso depois chegaram o padel, o ténis de mesa e o squash. E assim cá estamos, no Raquetc ("raquetecétera"). Como escreveu Pessoa, "primeiro estranha-se, depois entranha-se."