João Domingues: “Nunca pensei em ganhar o torneio porque é uma transição muito difícil de fazer”

Fotografia: Margarida Moura/Federação Portuguesa de Ténis

BRAGA — Aos 25 anos, João Domingues sagrou-se campeão de singulares do Braga Open, sucedendo a Pedro Sousa na lista de vencedores do Challenger do Norte do país. Trata-se do segundo título da carreira para o jovem oliveirense a este nível e por acontecer na semana — e também condições — em que aconteceu foi… Inesperado.

Em declarações ao Raquetc depois de vencer a final, o número três nacional desabafou que “nunca pensei em ganhar o torneio porque é uma transição muito difícil de fazer. Sair do Millennium Estoril Open com todas aquelas emoções, visibilidade e impacto que teve e muito desgastado fisicamente foi muito difícil”.

Como já tinha revelado depois do apuramento para os quartos de final, João Domingues chegou a considerar não ir a jogo no maior torneio de ténis organizado no Norte do País, mas acabou por participar e, mais do que isso, superar-se. “Sentia-me muito desgastado fisicamente mas tive a sorte de ser um dos cabeças de série, o que me permitiu jogar só na quarta-feira. Isso ajudou-me a recuperar, a realinhar o meu mindset e depois foi extremamente importante passar a primeira ronda como passei. Na segunda joguei um jogo totalmente diferente, porque foi indoor, e consegui superar-me e ganhar e ontem, na jornada dupla, foi incrível e por isso estou muito feliz.”

Sobre a final deste domingo, na qual somou a segunda vitória da carreira frente ao ex-top 60 Facundo Bagnis, elegeu como decisivo o momento em que recuperou o break de atraso na segunda partida. “Consegui ficar calmo mentalmente e não me exaltar em certo tipo de pontos. Foi um momento chave para conseguir virar [o encontro] e vi que ele desanimou um bocadinho e foi abaixo de intensidade, senti que estava cansado como eu e consegui ser resiliente e lutar muito para ganhar.”

A vitória foi conseguida perante casa cheia — estiveram cerca de 450 pessoas nas bancadas do court central do Clube de Ténis de Braga — e João Domingues considerou o apoio do público “fundamental” para conseguir superar momentos “em que estava a ceder a intensidade e a ficar cabisbaixo. O apoio do público ajudou-me a crescer novamente, sem dúvida.”

Entre os 450 espetadores esteve também Larri Passos, o muito prestigiado treinador brasileiro que já tinha acompanhado o jogador português no Millennium Estoril Open e esta semana já conseguiu estar desde o início ao seu lado. Domingues sublinhou que o ex-técnico de Gustavo “Guga” Kuerten foi muito importante em vários aspetos: “Ele já esteve neste papel e até em contrastes maiores, isto é, com um jogador que antes de ir jogar Grand Slams ia a um Challenger e conseguiu transmitir-me muito bem as experiências e o que eu tinha de fazer. Isso ajudou-me imenso e agradeço muito todo o trabalho que está a ter comigo, o interesse e a motivação. Mas também tenho de agradecer a toda a equipa que está comigo todos os dias já há muito tempo, o João Antunes, o André Podalka, o Daniel Sualehe e o João Peralta, preparador físico.”

E agora… Lisboa. João Domingues é um dos tenistas portugueses com o nome inscrito no quadro principal de singulares do Lisboa Belém Open, um torneio que quer disputar mas não sem antes ver “como estou fisicamente”. Afinal, as últimas semanas foram de “alta rodagem” e praticamente sem interrupções.

Gaspar Ribeiro Lança
gasparlanca@raquetc.com | Dar palavras a um encontro de dois, três, quatro ou cinco sets, com ou sem tie-break. Dar palavras a histórias, a recordes. Dar ténis a todos aqueles que o queiram. E mais, sempre mais — por isso depois chegaram o padel, o ténis de mesa e o squash. E assim cá estamos, no Raquetc ("raquetecétera"). Como escreveu Pessoa, "primeiro estranha-se, depois entranha-se."