João Domingues: “Jogar como joguei numa jornada dupla dá-me muita motivação para a final”

Fotografia: Margarida Moura/Federação Portuguesa de Ténis

BRAGAJoão Domingues não tinha uma tarefa fácil pela frente mas conseguiu cumpri-la: superou os dois encontros marcados para este sábado e assim inscreveu o nome na final de singulares do Braga Open, o Challenger ATP que é o maior torneio de ténis organizado no Norte do país.

O tenista português de 25 anos começou por superar o eslovaco Norbert Gombos, em três sets, e depois derrotou Bernabé Zapata Miralles num encontro atípico, concluído em menos de 40 minutos.

Em declarações ao Raquetc, João Domingues considerou que o último encontro do dia foi “o meu melhor jogo até agora no torneio” no sentido em que foi “consistente ao longo de todo o encontro”. Por isso, o oliveirense revelou-se “mesmo muito feliz por ter conseguido fazê-lo numa jornada dupla e depois de ter jogado três sets no primeiro desafio do dia. Jogar como joguei dá-me muita motivação e ambição para a final de amanhã.”

O encontro entre João Domingues e Bernabé Zapata Miralles foi de sentido único e não só o jogador da casa cedeu apenas 14 pontos como aplicou uma bicicleta — termo utilizado na gíria para descrever um 6-0 e 6-0 — ao adversário, que chegou a ser advertido por falta de esforço.

No entanto, o português desvalorizou o sucedido, acrescentando que “ele viu que eu entrei muito sólido, se calhar estava à espera que eu estivesse menos bem e isso assustou-o e fez com que entrasse em modo pânico. Eu não estava a dar nenhum ponto de graça, consegui comandar e como ele não tinha nenhum buraco onde se meter nem uma estratégia fez o que fez, desesperou. Mas ele foi tentando e eu sabia que era um jogador traiçoeiro, por isso tinha de estar consistente do início ao fim e foi o que fiz.”

A separá-lo do primeiro título em casa a este nível, João Domingues tem apenas um adversário — e que adversário: o argentino Facundo Bagnis, número 159 do ranking ATP, que também não teve dificuldades em inscrever o nome na final. Este será o segundo encontro entre ambos (o primeiro foi ganho pelo português em solo argentino) e o tenista luso está à espera de “um encontro muito duro”.

Na final, estarão presentes “a família e amigos” que vêm de propósito de Oliveira de Azeméis para se juntarem aos que ao longo dos últimos encontros já o apoiaram no Clube de Ténis de Braga. E ver as bancadas totalmente lotadas — este sábado já estiveram bem compostas — significaria muito para ex-campeão nacional absoluto: “Gosto muito de jogar em Portugal, sinto-me muito bem com o apoio das pessoas e jogar com casa cheia é sempre muito bom. É para isso que trabalhamos, para vermos pessoas a apoiarem-nos e a gostarem do que estão a ver. Acho que o apoio de todos é fundamental.”

Em caso de vitória, será a segunda vez em duas edições que o título de singulares do Braga Open é conquistado por um jogador português: em 2018 foi Pedro Sousa quem, com uma vitória sobre Casper Ruud, saiu do Clube de Ténis de Braga com o mais desejado dos troféus.

Gaspar Ribeiro Lança
gasparlanca@raquetc.com | Dar palavras a um encontro de dois, três, quatro ou cinco sets, com ou sem tie-break. Dar palavras a histórias, a recordes. Dar ténis a todos aqueles que o queiram. E mais, sempre mais — por isso depois chegaram o padel, o ténis de mesa e o squash. E assim cá estamos, no Raquetc ("raquetecétera"). Como escreveu Pessoa, "primeiro estranha-se, depois entranha-se."