Depois de um início de semana caricato, Schwartzman diz basta: “Estou enojado, é uma vergonha”

Esta tinha tudo para ser mais uma semana normal na carreira de Diego Schwartzman, mas um erro da sua equipa técnica fê-lo acabar a disputar a fase de qualificação do ATP 500 de Barcelona. Uma vez resolvida a distração, o argentino vê-se pela frente com um novo desafio e este não lhe agrada nada, ao ponto de ter tecido duras críticas na conferência de imprensa desta segunda-feira.

Número 25 do mundo, Diego Schwartzman foi o primeiro a reconhecer que “é um erro que pode acontecer a qualquer um” quando uma equipa técnica trata das inscrições em torneios semana após semana. E até compreendeu que a organização não lhe tenha atribuído o último wild card, uma vez que com a derrota precoce em Monte Carlo o alemão Alexander Zverev — um jogador que reúne ainda mais credenciais do que o argentino — optou por ir a jogo em mais um torneio.

O que está a enfurecer o “pequeno grande” guerreiro sul-americano é o tratamento que tem recebido por parte dos responsáveis da ATP.

“Cheguei ao hotel às 2h da manhã de sábado, praticamente não tive descanso e continuo sem o ter. A ordem de jogos é uma vergonha, de tal forma que tive uma forte discussão com a direção mas a ATP não sabe o que dizer, só me pedem desculpas”, desabafou, citado pelo website Punto de Break, na conferência de imprensa que se seguiu à vitória desta segunda-feira, por 4-6, 6-4 e 6-2 frente a Yoshihito Nishioka. Nos dias anteriores já tinha derrotado Jozef Kovalik (6-4 e 6-4) e Roberto Carballes Baena (6-4 e 6-4) para chegar ao quadro principal.

“O torneio também não tem culpa, apesar de serem eles a fazer a programação, mas a verdade é que tenho jogado consecutivamente desde sábado e as desculpas não me servem de nada. Não há nenhum motivo para voltar a jogar amanhã [terça-feira]”, continuou Diego Schwartzman.

O número dois da Argentina no ranking mundial diz-se “enojado com os tour manager da ATP e vou tornar isso público porque este ano já me aconteceu várias vezes. Quando são mais de 10 erros num ano que começou há pouco tempo é uma situação lamentável. Enganei-me e tive de jogar o qualifying, tudo bem, percebo perfeitamente, mas não há nenhuma razão pela qual deva jogar outra vez. Não há, mas ainda assim metem-me a jogar, não sabem o que responder e pedem-me logo desculpa. O que é que faço com as desculpas? Nada.”

A situação de Diego Schwartzman ganha contornos ainda mais complicados se considerado o próximo adversário do guerreiro argentino: nada mais, nada menos do que Dominic Thiem, um dos jogadores mais perigosos em terra batida.

“Somos muito amigos e ele é um dos três ou quatro melhores jogadores do mundo no pó de tijolo, por isso precisava de conseguir descansar muito para ter as minhas oportunidades”, desabafou. “Quando o derrotei em Buenos Aires [este ano, depois de salvar um match point] joguei ao meu melhor nível e aproveitei muito bem as oportunidades que me deu. Veremos como é que corre amanhã…”

Gaspar Ribeiro Lança
gasparlanca@raquetc.com | Dar palavras a um encontro de dois, três, quatro ou cinco sets, com ou sem tie-break. Dar palavras a recordes, a histórias. Dar ténis a todos aqueles que o queiram. E mais, sempre mais. Por isso depois chegaram o padel e o squash. E assim cá estamos, no RAQUETC ("raquetecétera"). Como escreveu Fernando Pessoa nos anos 20, "primeiro estranha-se, depois entranha-se."