Boulter e Konta, as heroínas de uma Grã-Bretanha que desesperava pelo regresso à elite

Quando venceu o ITF de 25.000 dólares de Óbidos, em abril de 2018, Katie Boulter estaria longe de imaginar que exatamente um ano depois estaria no Sul de Londres a fazer história para o seu país.

Mas o ténis tem destas coisas e 26 anos depois a Grã-Bretanha está de regresso à elite: a jogar em casa, a seleção comandada por Anne Keothavong derrotou o Cazaquistão (3-1) para voltar ao Grupo Mundial II da Fed Cup já na próxima época.

Johanna Konta, a número um do país, foi quem terminou o fim de semana com mais vitórias, mas Katie Boulter (que em fevereiro tinha vencido os quatro encontros de singulares que disputou em Bath, no Grupo I da Zona Euro-Africana) foi a responsável pelo último triunfo — um que valeu o apuramento e livrou a equipa da casa de um perigosíssimo encontro de pares, sobretudo tendo em conta que Heather Watson continua longe dos seus melhores dias e Katie Swan e Harriet Dart já jogaram e venceram lado a lado, sim, mas nunca um encontro desta dimensão.

Consciente do que estava em jogo, Katie Boulter deixou para trás os três match points desperdiçados na véspera frente a Yulia Putintseva (um duelo que teria colocado a Grã-Bretanha a vencer por 2-0…) e foi à luta. Não só contra uma Zarina Diyas que tal como ela sabia a importância do momento como contra as dores nas costas que já a tinham perturbado na jornada anterior (foi assistida nos dois encontros).

E ao fim de 2h14 e muito, muito drama, ficou mesmo com a vitória: 6-7(1), 6-4 e 6-1 foram os parciais que deram à Grã-Bretanha a tão desejada subida e colocam um ponto final numa longa espera com contornos de desespero.

Resultados da eliminatória:

  • Johanna Konta d. Zarina Diyas: 4-6, 6-3 e 6-2
  • Yulia Putintseva d. Katie Boulter: 3-6, 6-2 e 7-6(6)
  • Johanna Konta d. Yulia Putintseva: 4-6, 6-2 e 7-5
  • Katie Boulter d. Zarina Diyas: 6-7(1), 6-4 e 6-1

Agora, resta esperar. Esperar para saber como será a próxima aventura da Grã-Bretanha num Grupo Mundial cujos contornos ainda não são certos: como contou o Presidente da ITF, David Haggerty, numa reservada conversa em que o Raquetc esteve presente durante a última final da Taça Davis, “a ideia é transformar a Fed Cup numa competição similar [à Taça Davis] a partir de 2020”.

Para além da Grã-Bretanha, também a Eslováquia (3-1 ao Brasil), a Rússia (4-0 frente à Itália) e o Japão (4-0 sobre a Holanda) selaram a subida ao Grupo Mundial II.

Gaspar Ribeiro Lança
gasparlanca@raquetc.com | Dar palavras a um encontro de dois, três, quatro ou cinco sets, com ou sem tie-break. Dar palavras a recordes, a histórias. Dar ténis a todos aqueles que o queiram. E mais, sempre mais. Por isso depois chegaram o padel e o squash. E assim cá estamos, no RAQUETC ("raquetecétera"). Como escreveu Fernando Pessoa nos anos 20, "primeiro estranha-se, depois entranha-se."