Fognini endiabrado marca encontro com o super-campeão Nadal nas meias-finais de Monte Carlo

Entrou a meio gás, menos do que isso até, e pareceu estar com pé e meio fora do Rolex Monte-Carlo Masters, mas reagiu a tempo e continua vivo.

Fabio Fognini está endiabrado e esta sexta-feira derrotou Borna Coric por 1-6, 6-3 e 6-2 para igualar a melhor campanha da carreira em Masters 1000 — as primeiras meias-finais tinham acontecido precisamente aqui, em 2013, e as segundas em Miami 2017.

Perdido durante os 27 minutos em que o primeiro set se concluiu, Fognini não conseguiu ter armas para um Coric que regressou ao court determinado em escapar ao destino dos últimos dias (vinha de três triunfos em três sets…). Mas o começo do segundo parcial trouxe um jogador diferente ao court central de Monte Carlo, que mesmo despido da grande moldura do início da sessão foi preenchido por centenas — senão mesmo milhares — de adeptos italianos que ganharam outro alento com o aguardar do seu guerreiro.

A eficácia aumentou, a confiança também e num ápice Fabio Fognini começou a criar dificuldades ao jovem croata, que até foi o primeiro a quebrar mesmo neste segundo parcial. Foi precisa paciência mas uma vez devolvido o break o número 18 do mundo tomou o controlo do encontro sem fazer cerimónia — afinal, está praticamente em casa (mora em Taggia, a 45 minutos de carro) e era o grande favorito do público.

Quando o corpo parecia já não acompanhar a cabeça, Fabio Fognini superou-se. Está endiabrado, e quando assim é tudo pode acontecer.

Agora, vem aí um encontro com o super-campeão Rafael Nadal, que derrotou Guido Pella por 7-6(1) e 6-3. E se há alguém que o possa parar esse alguém é o por 11 vezes campeão, mas mesmo na terra batida o maiorquino já sentiu (muitas) dificuldades frente ao rebelde italiano, que é um dos sete jogadores a já o ter derrotado em pelo menos duas ocasiões em terra batida (tantas quando Roger Federer e Andy Murray).

Atualizado às 19h58.

Gaspar Ribeiro Lança
gasparlanca@raquetc.com | Dar palavras a um encontro de dois, três, quatro ou cinco sets, com ou sem tie-break. Dar palavras a recordes, a histórias. Dar ténis a todos aqueles que o queiram. E mais, sempre mais. Por isso depois chegaram o padel e o squash. E assim cá estamos, no RAQUETC ("raquetecétera"). Como escreveu Fernando Pessoa nos anos 20, "primeiro estranha-se, depois entranha-se."