João Domingues conquista uma das melhores vitórias da carreira frente a ex-top 30

João Domingues

Duas semanas depois de ter derrotado Carlos Berlocq, o último campeão do Portugal Open, João Domingues (221.º ATP) continua a dar provas do seu talento e capacidades no pó de tijolo. Esta quarta-feira, somou mais um triunfo de relevo para chegar aos oitavos de final do quadro principal de singulares do Challenger de Tunes, onde também está Pedro Sousa.

O tenista oliveirense de 25 anos viu-se pela frente com Guillermo Garcia-Lopez pela primeira vez na carreira e não se deixou intimidar pelo currículo do espanhol, derrotando o atual 117.º classificado e ex-top 30 (foi 23.º em 2011) ao fim de três equilibradas partidas, pelos parciais de 6-4, 5-7 e 6-4.

Num encontro dividido em três atos, João Domingues conseguiu sair de cena com razões para sorrir graças à persistência que o fez resistir a momentos de maior aperto.

O número três nacional começou por ser o primeiro a enfrentar pontos de break — logo nos seus dois primeiros jogos de serviço — mas conseguiu salvá-los e de forma cirúrgica venceu um longo quinto jogo no serviço do espanhol, suficiente para minutos mais tarde “encaixar” o primeiro set.

Por momentos, o golpe até pareceu suficiente para colocar um ponto final na discussão, uma vez que João Domingues entrou com tudo no segundo parcial e rapidamente chegou a uma vantagem de 3-0 com dois breaks. Mas Garcia-Lopez é um verdadeiro lutador — ou não se tratasse de um tenista espanhol e, ainda por cima, a disputar um encontro em terra batida — e nunca baixou os braços, provando continuar mais do que apto para estas andanças ao inverter uma situação tão desfavorável para fechar o parcial ainda antes do tiebreak.

Chegada a hora de todas as decisões, o mínimo erro poderia revelar-se fatal para qualquer um dos jogadores mas o tenista português soube reagir muito bem à questão. Apesar do mau começo, que o viu perder o serviço para ficar em desvantagem por 2-0, Domingues manteve-se psicologicamente em jogo e começou a construir a reviravolta do fundo do campo, com as variações de ângulo e profundidade que já tinham colocado dificuldades ao veterano espanhol nos parciais anteriores.

Não foi uma tarefa fácil de concretizar, mas uma vez igualada a pontuação foi ele quem soube pressionar melhor o serviço do adversário até chegar o momento certo: ao nono jogo conseguiu o break que logo a seguir confirmou para ficar com a tão importante e meritória vitória.

A vitória desta quarta-feira foi a terceira assinada por João Domingues frente a ex-jogadores do top 50 mundial no espaço de duas semanas. Antes, no Challenger de Alicante (onde só foi travado nas meias-finais por Pablo Andujar), o oliveirense já tinha derrotado Carlos Berlocq (chegou a ser 37.º e venceu o Portugal Open em 2014) e Lukas Rosol (ex-26.º e carrasco de Rafael Nadal em Wimbledon 2012).

Nos oitavos de final, João Domingues vai medir forças com o vencedor do duelo entre Federico Coria (irmão mais novo de Guillermo Coria, finalista de Roland Garros e número 3 do mundo em 2004), da Argentina, e Roberto Marcora, italiano que defende o estatuto de 14.º cabeça de série. Nesta fase da competição já está também Pedro Sousa, o segundo candidato ao título que cumpriu com sucesso o desafio inaugural disputado na manhã desta quarta-feira.

Atualizado às 14h58.

Gaspar Ribeiro Lança
gasparlanca@raquetc.com | Dar palavras a um encontro de dois, três, quatro ou cinco sets, com ou sem tie-break. Dar palavras a recordes, a histórias. Dar ténis a todos aqueles que o queiram. E mais, sempre mais. Por isso depois chegaram o padel e o squash. E assim cá estamos, no RAQUETC ("raquetecétera"). Como escreveu Fernando Pessoa nos anos 20, "primeiro estranha-se, depois entranha-se."