Magnus Norman, treinador de Wawrinka: “É difícil ignorar que se estão a cortar empregos no ténis”

Pouco a pouco, a reforma da Federação Internacional de Ténis aos torneios do escalão começa a ser criticada por várias vozes conhecidas dos circuitos profissionais. Depois de Janko Tipsarevic, que publicou um longo e detalhado vídeo a apelar por mudanças urgentes, chegou a vez de Magnus Norman, o treinador de Stan Wawrinka, se pronunciar.

O ex-tenista sueco (que foi finalista de Roland Garros em 2000, ano em que chegou ao segundo lugar do ranking ATP) reconheceu que “não estou a par de tudo e não sou um político mas trabalho com muitos jogadores e treinadores ao nível dos juniores e dos Futures e sei que eles não estão contentes. Acho muito difícil ignorar o facto de se estarem a cortar empregos no ténis.”

Magnus Norman afirmou que “eu mudaria as coisas. Olharia para isto de outro ângulo para tentar melhorar a situação para cada um dos jogadores a um nível global. O sistema antigo não era mau mas talvez houvesse jogadores a atravessar períodos complicados por causa do prize money reduzidos. Mas muitos deles encontravam outras formas de rendimento, como as competições por clubes, etc.”

O técnico do por três vezes campeão de torneios do Grand Slam acredita que se deve “trabalhar o modelo de negócios para aumentar o prize money, encontrar parceiros e distribuir mais fundos pelos torneios de nível inferior, fazer eventos melhores e melhorar a qualidade das instalações onde se joga. Isto não tem de custar uma fortuna, basta elevar ligeiramente os standards. É assim que o ténis vai crescer e em vez disso o que acontece hoje em dia é que os jogadores são muito mal tratados ao nível Future.”

“Em vários torneios são forçados a ficar no resort onde se joga o torneio para poderem treinar, ou até para ficarem no torneio. Muitas vezes não há árbitros ou os árbitros atrasam-se, não têm bolas para treinar, são forçados a jogar pré-qualifyings com um valor de inscrição que vai até aos 50€, entre outras coisas”, concluiu Norman.

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Gaspar Ribeiro Lança
gasparlanca@raquetc.com | Dar palavras a um encontro de dois, três, quatro ou cinco sets, com ou sem tie-break. Dar palavras a recordes, a histórias. Dar ténis a todos aqueles que o queiram. E mais, sempre mais. Por isso depois chegaram o padel e o squash. E assim cá estamos, no RAQUETC ("raquetecétera"). Como escreveu Fernando Pessoa nos anos 20, "primeiro estranha-se, depois entranha-se."