Pedro Sousa escolhe 10 momentos de eleição

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Fotografia: Lisboa Belém Open/Fernando Correia

[texto inicialmente publicado no website da Federação Portuguesa de Ténis]

Um dia depois de ter nascido, Pedro Sousa começou logo a conhecer os cantos aquela que seria sempre a sua casa de eleição: o Club Internacional de Foot-ball, na Ajuda. E, aos 8 anos, já fazia pela vida no intervalo da escola. O pai, Manuel Sousa, era o seu treinador e descobriu a maneira mais eficaz de motivar o filho: “colocava uma baliza para miúdos da ‘Chicco’ ao fundo do campo e na sequência do treino de direitas ou esquerdas cruzadas ou ao longo, o Pedro recebia 25 tostões quando metia a bola na baliza. Ao final do dia, era capaz de levar para casa 30 escudos, que ele dizia que era para comprar chocolates…”.

Esta foi uma parte da infância de Pedro Sousa, que aos 30 anos tornou-se no mais recente inquilino do top 100 nacional, depois de Nuno Marques, Frederico Gil, Rui Machado, João Sousa e Gastão Elias.

A entrada no clube centenário foi festejada depois da estreia na primeira etapa do Grand Slam, o Open da Austrália, onde teve honras de jogar no Margaret Court Arena frente ao australiano Alex de Minaur, num encontro que Pedro Sousa escolheu como um dos 10 momentos de eleição na sua carreira.

Cumprido um sonho de criança, Pedro Sousa acredita que tem condições para se manter no top 100 mundial, mas não gosta de fazer comparações com a posição que os seus colegas têm no ranking ATP. “Se fizer melhor que eles tanto melhor, mas o objetivo não passa por superar a posição que os meus colegas têm no ranking ATP”.

Não escondendo a satisfação por fazer parte do CAR Jamor Jogos Santa Casa, Pedro Sousa considera que a estrutura federativa fazia falta ao ténis nacional. “Conhecia bem o Gonçalo Nicau, que em tempos me tinha acompanhado no circuito, e o Rui Machado como colega no circuito. Isso facilitou bastante a minha integração no CAR Jamor”.

O percurso de Pedro Sousa poderia ter sido outro se não tivesse sido marcado por lesões: a primeira, uma canelite, que praticamente o afastou da competição durante um ano e depois as duas operações a que foi submetido ao pulso em 2015. “São coisas que acontecem a quem joga ténis…”.

Das etapas de formação, Pedro Sousa não se esquece dos bons momentos vividos no CIF com o seu amigo de infância João Fernandes: “Jogávamos futebol quase o dia inteiro, e depois do futebol é que íamos treinar ténis”. Mas não se pense que Pedro Sousa teve a vida facilitada. O rigor do pai não lhe permitia facilidades: “Entrava no CIF às 7h45 da manhã para treinar antes das aulas até às 9 horas, à hora do almoço vinha novamente treinar e depois, ao final da tarde, também. Mas, antes, ainda jogava futebol na escola…”.

O modelo de jogo, antecipação, aceleração e motivação fazem com que Pedro Sousa seja uma referência obrigatória do nosso ténis. Rejeitou convites para ir para academias e universidades no estrangeiro preferindo manter-se fiel ao seu pai, que considera ter sido o seu melhor treinador por tudo o que lhe ensinou na vida.

Não foi fácil pedir a Pedro Sousa que escolhesse os 10 melhores momentos da carreira (“se fossem 5 já teria dificuldade….”), mas o representante do CIF na alta roda mundial foi ao baú e aqui deixou a sua votação:

1 – Entrada no top 100 mundial. É o sexto português a fazer parte do clube centenário, desde a última segunda-feira.

2 – Jogar no Margaret Court Arena. Foi a estreia no quadro principal de um Grand Slam em 2019.

3 – Vitória no Challenger alemão de Pullach, dotado com 125 mil dólares, face à cotação do torneio. Depois de João Sousa ter conquistado o Millennium Estoril Open em 2018, trata-se do segundo triunfo mais importante.

4 – Em 2017, conquista o Challenger de Francavilla, Itália, onde só perdeu um set em 5 encontros.

5 – Presença nos quartos-de-final do torneio de juniores em Roland Garros, em 2006, onde bateu o então nº 1 mundial, o norte-americano Donald Young.

6 – As duas operações ao pulso esquerdo, em 2015, mudaram a perspetiva e Pedro Sousa voltou ainda com maior ânimo e ambição ao circuito profissional.

7 – Ainda como júnior fez a sua estreia na Taça Davis no encontro com Marrocos, em Marraquexe.

8 – Em 2011, Pedro Sousa superou a fase de qualificação defrontrou na 1ª ronda do quadro o argentino Juan Martin del Potro no Estoril Open, no Jamor, tendo-lhe ganho um set.

9 – Vitória no Challenger de Braga, em 2018, na primeira edição desta competição em terra batida.

10 – Depois das duas operações ao pulso, Pedro Sousa valoriza o triunfo no Future ITF da Tunísia, em 2016.

Estreia de portugueses no top 100 mundial:

Nuno Marques: 100º, 1/4/1991
Frederico Gil: 98º, 4/8/2008
Rui Machado: 95º, 25/10/2010
João Sousa: 99º, 15/10/2012
Gastão Elias: 94º, 24/4/2016
Pedro Sousa: 100º, 11/2/2019

Norberto Santos
Ex-redator principal do Record e historiador do ténis português.