Opinião: Quando se muda… para pior!

Muito se tem falado das mais recentes alterações da ITF ao circuito profissional, nomeadamente nas provas de $15.000 e $25.000.

Se as expectativas não eram muitas, a realidade veio confirmar um cenário catastrófico para centenas ou milhares de jovens espalhados pelo Mundo, que sonham com uma carreira profissional.

O que a realidade nos veio mostrar é que as DESVANTAGENS deste novo sistema são muitas e as VANTAGENS são muito poucas, ou nenhumas.

Sinceramente ainda não consegui entender qual o objectivo de tais mudanças. Não consigo entender as vantagens para os vários agentes do ténis em encurtar de forma tão drástica o acesso aos torneios. A redução das provas de qualificação parece-me ser a medida mais grave de todas.

Ao colocar, de repente, milhares de atletas de fora dos torneios ITF Pro criou-se um vazio competitivo enorme que deixou muitos atletas perdidos e desmotivados. As federações nacionais foram apanhadas de surpresa com esta nova realidade e não actuaram de forma a preencher esse vazio. É óbvio que, se estas novas regras se mantiverem, as federações nacionais passam a ter uma responsabilidade acrescida na dinamização de um calendário competitivo nacional que sirva de transição para o circuito profissional.

Em Portugal a Federação Portuguesa de Ténis (FPT) fez, e muito bem, uma grande aposta no apoio à organização de torneios ITF Pro, e mesmo de torneios Challenger. Isto, só por si, permitiu colocar dezenas de jovens a competir a “alto nível” sem ter de sair de “casa”. Para além disso dinamizou o ténis local e motivou mais jovens para competir.

Agora tudo muda. Com as novas regras, para ser inclusiva, a FPT tem de investir em dois circuitos para atingir os mesmos objectivos: por um lado continuar a apoiar estes eventos profissionais. Por outro, apoiar e dinamizar um circuito interno que dê possibilidade de competir aos que não conseguem jogar profissional. Por fim, estas provas nacionais teriam de servir de “filtro” para a escolha dos atletas que têm mais condições de aceder aos WC disponíveis para as provas profissionais.

Menos jogadores nos torneios traz também menos receita aos organizadores e menor capacidade de estes angariarem patrocinadores privados. Menos atletas implica também menos receita para a economia local (hotéis, restaurantes, serviços) o que vem desmotivar as autarquias e poderes locais para apoiar estes eventos. Menos apoios, significa menos torneios. Menos torneios significa menos lugares disponíveis para se jogar e torneios mais fortes.

Por fim, projectos de competição e alta-competição como a FTA (Felner Tennis Academy) são escassos em Portugal e com estas novas regras vão ter a sua vida ainda mais dificultada.

Ao longo dos últimos anos o nosso trabalho na FTA tem-se centrado muito na formação de jovens para o circuito profissional.

Ao longo destes últimos anos, a FTA colocou 10 atletas, entre os 15 e os 18 anos de idade, a debutar pela primeira vez nos circuitos ATP e WTA. Ganhar os primeiros pontos ”profissionais” era uma das grandes MOTIVAÇÕES para o trabalho diário de jogadores e treinadores! Se já era difícil tentar uma carreira profissional no ténis, agora ainda mais difícil ficou!

Se nada for feito, estas medidas vão enviar muitos potenciais jogadores profissionais de sucesso para “fora” do ténis prematuramente.