Não houve duas sem três: Portugal voltou a ficar à porta da elite da Taça Davis

Derrota em 1994,
Derrota em 2017,
Derrota em 2019.

A seleção nacional portuguesa falhou este fim de semana o apuramento para a fase final da Taça Davis pela primeira vez na história, ao ser derrotada de forma contundente por um Cazaquistão inabalável no forte de Astana depois de Mikhail Kukushkin se impor perante João Sousa pelos parciais de 6-4 e 6-1.

Se a vitória no par ainda manteve a esperança portuguesa no sonho de chegar já em 2019 a Madrid, o regresso à vertente de singulares fez questão de deitar todas essas esperanças por água abaixo, com o contingente luso a sair da capital cazaque com três derrotas em quatro encontros disputados. O Grupo Mundial, principal objetivo desta geração, volta a ser adiado.

João Sousa (39.º ATP) foi o jogador encarregue de entrar em campo para defrontar Mikhail Kukushkin (55.º) naquele que era o embate mais aguardado da eliminatória, visto colocar frente a frente os dois melhores jogadores de cada nação, ambos inseridos no top-60 mundial.

Por esta mesma razão, não foi de todo um duelo de desconhecidos aquele que o número um luso enfrentou, ao contrário do que se sucedeu na sexta-feira. Frente a frente pela quarta ocasião, João Sousa tinha no registo dois triunfos contra um desaire, sendo que ambas as vitórias tinham sido alcançadas em piso rápido — a última delas no Australian Open de 2016.

No entanto, havia um fator que poderia fazer a diferença: o estado físico. Se o número 1 cazaque só havia disputado 62 minutos de encontro frente a Pedro Sousa, João Sousa levava mais de quatro horas e 6 sets nas pernas num período inferior a 24 horas, o que acabou por também afetar a exibição pouco conseguida e desacertada do vimaranense.

Num encontro resolvido ao fim de apenas 1h15, o tenista luso teve sempre muito longe de exibir um ténis consistente, algo que era imperativo frente a um jogador com o estatuto de Kukushkin.

No primeiro parcial o português ainda conseguiu equilibrar a contenda, mas a perda do mesmo levou a que tudo se desmoronasse no segundo. Sem nunca se sentir a um bom nível, o mais cotado tenista da eliminatória terminou o encontro com 45(!) erros não forçados, ou seja, dos 68 pontos vencidos pelo cazaque, praticamente dois terços foram fruto da inconsistência das pancadas lusitanas.

Posto isto, a derrota “devolve” Portugal ao Grupo I, que se vai jogar no mês de setembro e onde volta a estar em causa a chegada à qualificação — um cenário igual àquele que a seleção lusa viveu no final de 2018, quando mediu forças com a África do Sul no CIF para garantir presença nas Davis Cup Qualifiers.

Atualizado às 10h05.

Francisco Semedo
Licenciado em Turismo e a tirar Mestrado em Ciências da Comunicação, desde cedo se interessou pelo ténis. Começou aos 9 e desde então tem um olhar atento e constante de tudo o que se passa naquela que considera ser a melhor modalidade a todos os níveis.