Djokovic vs. Nadal, Parte 53: Dois gigantes com (mais) história à espreita

À direita da cadeira uma lenda viva,
À esquerda da cadeira outra lenda viva.

Quando for dito “Ready? Play!” pela última vez nesta edição do Australian Open terá início o 53.º capítulo da rivalidade mais celebrada da história da Era Open no circuito masculino: Novak Djokovic vs Rafael Nadal.

O sérvio e o espanhol não só são considerados dois dos melhores jogadores de todos os tempos como neste momento parecem ser os únicos capazes de se derrotarem. E há história à espreita para quem erguer o mais desejado dos troféus na Rod Laver Arena.

Para Novak Djokovic, número um do mundo e campeão dos dois últimos torneios do Grand Slam, trata-se de uma oportunidade de our de se tornar no maior campeão masculino da história do torneio, ele que neste momento partilha o recorde (6 títulos) com Roy Emerson e Roger Federer. Do seu lado tem uma estatística encorajadora: nunca perdeu uma final em Melbourne.

Já para Rafael Nadal, está em jogo a possibilidade de se tornar no primeiro homem a vencer todos os torneios do Grand Slam pelo menos duas vezes na Era Open. A única conquista do número dois do mundo no Australian Open aconteceu há exatamente uma década e entretanto saiu derrotado nas finais de 2012, 2014 e 2017.

É uma colisão de gigantes que se torna difícil de prever pela forma arrasadora como quer um, quer outro despacharam as respetivas meias-finais para chegarem frescos à decisão — Nadal só perdeu seis jogos frente a Stefanos Tsitsipas (6-2, 6-4 e 6-0) e no dia seguinte Djokovic superou-o ao ceder apenas quatro para derrotar Lucas Pouille (6-0, 6-2 e 6-2). Uma decisão que faz imediatamente lembrar o encontro com contornos épicos que os dois disputaram ao longo de 5h56 na final de 2012.s.

O que nos dizem os números

A maior rivalidade do circuito masculino na Era Open é, também, uma das mais equilibradas: Novak Djokovic lidera por 27-25 e foi com o último triunfo que deu um dos passos mais importantes deste regresso ao topo de forma, ao vencer Rafael Nadal por 6-4, 3-6, 7-6(9), 3-6 e 10-8 numa meia-final em Wimbledon, onde dois anos e um mês depois acabaria por voltar aos títulos em torneios do Grand Slam.

Para além de liderar o frente-a-frente, o tenista natural de Belgrado venceu 12 dos últimos 15 encontros disputados. Em piso rápido, o registo é-lhe favorável por 18-7 e a última vitória do maiorquino remonta à final do US Open de 2013 — desde aí, sete duelos, sete vitórias para o sérvio na superfície em que se disputa a final deste domingo.

Novak Djokovic vs. Rafael Nadal em números

Em Grand Slams: 5-9
Em finais do Grand Slam: 3-4
Em finais: 14-10
Em finais em piso rápido: 8-3
No Australian Open: 1-0
Em piso rápido: 18-7
Em piso rápido em Grand Slams: 2-2

Títulos do Grand Slam: Novak Djokovic 14, Rafael Nadal 17. À frente, apenas Roger Federer (20), certamente uma motivação extra para os dois.

Gaspar Ribeiro Lança
gasparlanca@raquetc.com | Dar palavras a um encontro de dois, três, quatro ou cinco sets, com ou sem tie-break. Dar palavras a recordes, a histórias. Dar ténis a todos aqueles que o queiram. E mais, sempre mais. Por isso depois chegaram o padel, o squash e o ténis de mesa. E assim cá estamos, no RAQUETC ("raquetecétera"). Como escreveu Fernando Pessoa nos anos 20, "primeiro estranha-se, depois entranha-se."