Naomi Osaka ou Petra Kvitova. Uma delas vai sair de Melbourne não com um mas dois troféus

Uma nasceu em Bílovec, República Checa, em 1990.
A outra em Osaka, Japão, em 1997.

Petra Kvitova e Naomi Osaka vêm de lados opostos do globo e estão em fases bem diferentes das respetivas carreiras. Mas este sábado, quando se defrontarem pela primeira vez, nada disso importará.

Em jogo estará o título de um torneio do Grand Slam que pelo segundo ano consecutivo terá acompanhamento: a vencedora da final será número um do mundo na segunda-feira.

Se vencer um Major é uma sensação comum a ambas, ascender ao topo do ranking será uma novidade para qualquer uma. Mas não é isso que as preocupa: a prioridade é conquistar o título na Rod Laver Arena, afirmaram quase em uníssono nas antevisões ao encontro. Até porque neste caso um troféu depende do outro.

Não faltam motivos de interesse para se acompanhar a decisão, imprevisível não só pela ausência de um frente a frente entre ambas como pelo nível que quer uma, quer outra têm vindo a praticar.

Naomi Osaka é a sensação da última temporada que está a provar que o US Open não foi caso único de sucesso na sua vida, Petra Kvitova a “campeã do povo”, protagonista de um regresso improvável a que só falta a cereja no topo do bolo. As duas conquistaram os corações do público, as duas têm tudo para vencer.

E agora?

A resposta é difícil até para Martina Navratilova, uma das maiores campeãs da história do ténis. Numa coluna de opinião publicada no website oficial da WTA, a detentora de 59 títulos do Grand Slam (18 em singulares, 31 em pares femininos e 10 em pares mistos) descreve como “inacreditável” o ténis que Petra Kvitova está a jogar depois de m assaltante surpreendido a ter esfaqueado na sua própria casa — um ataque violentíssimo que colocou em sério risco quer a carreira, quer a vida da tenista checa — mas reconhece que será “muito difícil” bater uma Naomi Osaka que está “a jogar o melhor ténis da carreira” — sim, até mesmo “melhor do que quando derrotou Serena Williams na final do US Open”, analisa a ex-tenista nascida checa e naturalizada norte-americana.

Mas Navratilova tem duas certezas: “Petra Kvitova será a favorita sentimental” por tudo o que superou, como aliás se percebeu depois de uma Rod Laver Arena completamente lotada a aplaudir de pé enquanto as lágrimas lhe escorriam pela cara ao recordar o episódio pouco depois de derrotar a estrela da casa, Ashleigh Barty, no encontro dos quartos de final; e “qualquer que seja a vencedora será uma campeã do povo porque haverá uma grande história de cada lado da rede.”

Naomi Osaka quer tornar-se na primeira jogadora desde Jennifer Capriati, em 2001, a dar seguimento ao primeiro título em torneios Major com o segundo. Petra Kvitova quer conquistar o primeiro desde que se sagrou campeã de Wimbledon pela segunda vez, em 2014 — e o primeiro da “segunda carreira”, como ela própria a descreve.

A final do Australian Open é território desconhecido para as duas e por muito que o mundo do ténis queira só pode haver uma vencedora. Afinal, é de desporto que estamos a falar.

História está garantida, espetáculo também. Ready? It’s showtime. Para acompanhar em direto no Eurosport a partir das 8h30 deste sábado e ler logo após o final do encontro aqui, no Raquetc.

Gaspar Ribeiro Lança
gasparlanca@raquetc.com | Dar palavras a um encontro de dois, três, quatro ou cinco sets, com ou sem tie-break. Dar palavras a recordes, a histórias. Dar ténis a todos aqueles que o queiram. E mais, sempre mais. Por isso depois chegaram o padel e o squash. E assim cá estamos, no RAQUETC ("raquetecétera"). Como escreveu Fernando Pessoa nos anos 20, "primeiro estranha-se, depois entranha-se."