Enquanto dormia #4: o Conquistador João Sousa, o adeus de um campeão e o desfile de Osaka

Chuva, chuva, chuva. O começo da quarta jornada do Australian Open não foi fácil, tudo porque Melbourne Park recebeu os primeiros aguaceiros do novo ano. Ainda assim, desenrolaram-se grandes batalhas e a grelha terceira ronda está cada vez mais composta. Para quem acabou de acordar, para quem não pôde assistir à jornada. Se não pôde assistir à jornada, não tinha café suficiente para ficar acordado ou está a caminho do trabalho ou da escola, este resumo é para si.

E não é que não há duas sem três? Pelo terceiro dia consecutivo começamos por falar de uma vitória portuguesa. O Conquistador João Sousa voltou a superar-se para vencer nova batalha de mais de quatro horas, desta feita frente ao tão experiente e perigoso Philipp Kohlschreiber. Já são mais de 13h em campo para o vimaranense nesta edição do Australian Open, ele que igualou o melhor resultado da carreira no quadro principal de singulares e que amanhã regressará à ação para tentar chegar à mesma fase em pares.

Se as pernas lhe pesam, não parece: no duelo de hoje, o melhor tenista português de todos os tempos disparou inéditos 28 ases e assinou um total de 74 winners, números que comprovam o caráter ofensivo da sua exibição. Foi para a luta, como tinha de ir, e no final a batalha foi dele.

Depois de desaires para Andy Murray na terceira ronda de 2015 e 2016, João Sousa vai voltar a ter um duro teste: Kei Nishikori. A diferença estará na forma do adversário: é que tal como ele também o nipónico se viu forçado a disputar cinco sets nos dois primeiros encontros neste Australian Open (mas de forma bem mais surpreendente): venceu um Kamil Majchrzak traído pelas cãibras na primeira ronda (3-6, 6-7[6], 6-0, 6-2 e 3-0 desistência) e um cada vez em melhor forma Ivo Karlovic na jornada desta quinta-feira, por 6-3, 7-6(6), 5-7, 5-7 e 7-6(7).

Ao contrário do tenista português, Kei Nishikori não tem convencido. Mas manteve-se em jogo e as suas capacidades são conhecidas de todo o público…

A mesma sorte não teve Hyeon Chung. O semifinalista de 2018 já tinha sido ameaçado na primeira ronda e esta quinta-feira acabou mesmo por ceder, a vitória ficou para o francês Pierre-Huges Herbert, que com os parciais de 6-2, 1-6, 6-2 e 6-4 marcou encontro com o vencedor do encontro mais aguardado da sessão diurna: Milos Raonic, que superou o ex-campeão Stan Wawrinka na batalha dos tie-breaks.

Em frente no quadro masculino seguiram ainda Fabio Fognini (7-6[3], 6-3 e 7-6[5] a Leonardo Mayer), Pablo Carreño-Busta (6-2, 6-3 e 7-6[7] frente a Ilya Ivashka) e Borna Coric (6-4, 6-3 e 6-4 sobre Marton Fucsovics).

No quadro feminino não há, para já, resultados de particular destaque a assinalar porque as primeiras favoritas a entrarem em ação não desiludiram: Elina Svitolina superou Vera Kuzmova por 6-4 e 6-1, Karolina Pliskova deu a volta a Madison Brengle para triunfar por 4-6, 6-1 e 6-0 e Madison Keys derrotou Anastasia Potapova por 6-3 e 6-4. Quanto a Naomi Osaka, não poderia estar a dar-se melhor naquele que é o seu primeiro Grand Slam com o estatuto de campeã e depois de vencer Magda Linette por 6-4 e 6-2 aplicou os mesmos parciais, mas invertidos, a Tamara Zidansek.

Há, sim, muito a acontecer nesta transição entre a jornada diurna e a noturna à hora da publicação deste artigo a número 1 mundial Simona Halep estava prestes a embarcar no tie-break do segundo set frente à norte-americana Sofia Kenin e Venus Williams muito próxima de perder o segundo set para Alizé Cornet. Os encontros do dia ainda estão para começar: Serena Williams e Genie Bouchard vão colidir em plena Rod Laver Arena, enquanto Novak Djokovic e Jo-Wilfried Tsonga reeditam a final de 2008 na segunda ronda.

Gaspar Ribeiro Lança
gasparlanca@raquetc.com | Dar palavras a um encontro de dois, três, quatro ou cinco sets, com ou sem tie-break. Dar palavras a recordes, a histórias. Dar ténis a todos aqueles que o queiram. E mais, sempre mais. Por isso depois chegaram o padel, o squash e o ténis de mesa. E assim cá estamos, no RAQUETC ("raquetecétera"). Como escreveu Fernando Pessoa nos anos 20, "primeiro estranha-se, depois entranha-se."