As maratonas, o físico e Nishikori – Frederico Marques fala do começo de João Sousa no Australian Open

Frederico Marques está muito satisfeito com o arranque de João Sousa no Australian Open mas quer mais. Em declarações ao Raquetc depois da terceira vitória do seu pupilo no primeiro Grand Slam da temporada, o treinador português partilhou a alegria sentida mas também a ambição de continuar a evoluir.

O melhor tenista português de todos os tempos apurou-se para a terceira ronda do Australian Open pela terceira vez na carreira graças a duas vitórias no quinto set, uma prestação que para já está a deixar Frederico Marques satisfeito. “Estou contente com a prestação do João. São duas boas vitórias mas não passa disso, ainda falta muito trabalho bem feito para poder estar entre os melhores em termos de nível e com isso de ranking“.

Ao Raquetc, o treinador português explicou o trabalho de preparação que foi feito para o duelo desta quinta-feira frente a Philipp Kohlschreiber. “Hoje o João jogou num dos courts mais rápidos do complexo. Sabíamos que o campo era rápido, treinámos nele ainda antes do torneio começar e sabíamos que tínhamos de ser fortes no serviço e na direita paralela e foi o que aconteceu. O João foi fiel aos padrões e jogo dele e acabou por conseguir vencer. Estivemos bem e a vitória acabou por nos sorrir, porque por vezes joga-se bem e não se ganha, como aconteceu na semana passada [na segunda ronda de Auckland].”

Questionado sobre se as mais de 10 horas que João Sousa já passou em campo desde que começou a competir (4h03 para o encontro da primeira ronda de singulares, 2h07 no da eliminatória inaugural de pares e 4h18 no duelo desta quinta-feira), Frederico Marques refere que fisicamente o número um português “está bem” e explica: “Fizemos uma pré-temporada muito exigente porque sabíamos que íamos precisar de estar habituados a passar muitas horas no campo, que foi o que aconteceu.”

E agora… Kei Nishikori. Depois de defrontar Andy Murray em anos consecutivos na terceira ronda (em 2015 e 2016), João Sousa vai ter pela frente mais um dos grandes nomes do circuito. O nipónico não tem vivido dos melhores dias em Melbourne Park — dois encontros em cinco sets — mas Frederico Marques não pensa nisso. “É um dos jogadores com melhor colocação e resposta do circuito, um jogador do top 10. Respeitamos todos como pessoas mas como jogadores e nível de jogo ele já é outra coisa. Os números não contam antes de entrarmos em jogo, o que interessa é a velocidade da bola, das pernas, a dinâmica e a ambição, entre outras coisas.”

Com mais um dia para preparar esse duelo com o japonês (o confronto direto regista um triunfo para cada lado, com o português a acontecer em Tóquio quando o jogador da casa desistiu, lesionado, no primeiro set), o técnico do vimaranense diz que a dupla não pensa “se se trata de uma terceira ronda, quarta ou quartos de final. Pensamos sim em continuar a trabalhar os aspetos que trabalhámos na temporada porque queremos melhorar para como já disse poder estar entre os melhores do mundo.”

Gaspar Ribeiro Lança
gasparlanca@raquetc.com | Dar palavras a um encontro de dois, três, quatro ou cinco sets, com ou sem tie-break. Dar palavras a recordes, a histórias. Dar ténis a todos aqueles que o queiram. E mais, sempre mais. Por isso depois chegaram o padel e o squash. E assim cá estamos, no RAQUETC ("raquetecétera"). Como escreveu Fernando Pessoa nos anos 20, "primeiro estranha-se, depois entranha-se."