Em lágrimas, Andy Murray anuncia que vai terminar a carreira em Wimbledon — e não descarta fazê-lo mais cedo

O início do fim: Andy Murray anunciou, esta sexta-feira, que vai terminar a carreira em Wimbledon. A lesão na anca que o atormenta há 20 meses tornou-se demasiado insuportável, de tal forma que o britânico não descarta que o Australian Open seja mesmo o seu “último torneio”.

No habitual Media Day que antecede os torneios do Grand Slam, o tenista natural de Glasgow, na Escócia, abandonou a sala de conferências de imprensa em lágrimas logo após a primeira pergunta — “Como é que te sentes?”

Pouco depois, Murray voltou ao encontro dos jornalistas para revelar que as dores têm sido demasiado incómodas. “Não me sinto bem. Tenho tido dificuldades há muito tempo e sentido muitas dores nos últimos 20 meses. Fiz praticamente tudo o que podia para melhorar a lesão mas a anca não tem evoluído lá muito”, partilhou, antes de fazer a revelação.

Wimbledon é o local onde gostava de deixar de jogar mas não tenho a certeza de que o vou conseguir fazer. Não sei se consigo jogar com dores por mais quatro ou cinco meses“, acrescentou, referindo ainda que se reuniu na quinta-feira com o cirurgião que o operou há um ano e que uma nova intervenção não está fora da mesa, mas a acontecer “será depois de deixar de jogar e para melhorar a minha qualidade de vida”.

Por isso, o tenista britânico de 31 anos não descarta que o Australian Open possa ser “o meu último torneio”. Tudo dependerá da forma como se sentir nos próximos dias e durante a estreia, um cenário que a avaliar pela prestação no encontro-treino com Novak Djokovic na jornada de quinta-feira (6-1 e 4-1 para o sérvio) não parece ser nada favorável: os jornalistas no local relataram que a movimentação e pancadas do compatriota estiveram muito aquém do nível a que habituou os seguidores do circuito.

A revelação aconteceu sensivelmente um ano depois de, também em Melbourne, ter anunciado uma longa paragem com uma publicação extensa e emocional na rede social Instagram.

Até ao momento, Andrew Barron Murray soma 663 vitórias no circuito profissional masculino (e apenas 190 derrotas) que resultaram em 45 títulos. Entre eles, dois em Wimbledon (2013 e 2016) e um no US Open (2012), bem como duas medalhas de ouro nos Jogos Olímpicos (2012 e 2016), 14 Masters 1000, um Nitto ATP Finals e uma Taça Davis. Um currículo invejável.

Nas entrelinhas das conquistas estiveram, quase sempre, feitos históricos para o ténis da super potência Grã-Bretanha, que sem exceção acrescentaram a todas as caminhadas uma pressão acrescida — célebre ficou, desde cedo, o tratamento a que tantas vezes se via sujeito consoante os resultados: “britânico” nas vitórias, “escocês” nas derrotas.

Tornou-se, indiscutivelmente, num dos melhores jogadores do início do século XXI, ao ponto de ser considerado um dos elementos do “Big Four” — o famoso grupo constituído por Roger Federer, Rafael Nadal, Novak Djokovic e ele próprio. É que, apesar de “só” ter três títulos do Grand Slam no currículo, tem outras oito finais disputadas (cinco no Australian Open, uma em Roland Garros, uma em Wimbledon e uma no US Open) e foi um dos poucos a conseguir fazer frente aos três nomes principais desta geração de forma constante.

Entre muitos outros momentos destaca-se a reta final de 2016 verdadeiramente impressionante, que o viu conquistar oito títulos desde o início da temporada de relva para se tornar número um mundial.

Atualizado às 00h55.

Gaspar Ribeiro Lança
gasparlanca@raquetc.com | Dar palavras a um encontro de dois, três, quatro ou cinco sets, com ou sem tie-break. Dar palavras a recordes, a histórias. Dar ténis a todos aqueles que o queiram. E mais, sempre mais. Por isso depois chegaram o padel, o squash e o ténis de mesa. E assim cá estamos, no RAQUETC ("raquetecétera"). Como escreveu Fernando Pessoa nos anos 20, "primeiro estranha-se, depois entranha-se."