10 minutos, 2 vitórias – ou como o CT Porto virou uma “meia-final” que parecia perdida

Final de jornada épico no Complexo de Ténis da Maia: depois de ter perdido os dois primeiros encontros de singulares, o Clube de Ténis do Porto salvou um match point e deu a volta a uma meia-final improvisada frente ao Centro de Ténis de Faro para regressar à decisão do Campeonato Nacional de Equipas Seniores da 1.ª Divisão.

O confronto deste sábado começou com a vitória de Vilius Gaubas num verdadeiro duelo de gerações: vindo da Lituânia, o jovem de apenas 13 anos derrotou o bem mais velho Mauri Brito Gomez (de 39 e atual tetracampeão nacional de +35) por 6-4 e 7-6(3) para dar à equipa algarvia o primeiro ponto.

Pouco depois, foi a vez de Terence Das (com 16 anos e vindo da Índia) levar a melhor sobre José Perez por equilibrados 6-7(3), 6-2 e 6-2 para colocar o Centro de Ténis de Faro a um passo da vitória. Passo esse que a dada altura pareceu estar dado por José Ricardo Nunes.

O recém consagrado campeão nacional de pares mistos (ao lado de Matilde Jorge) entrou bem contra Manuel Gonçalves mas perdeu terreno no tie-break do segundo set e esteve em maus lençóis no terceiro (break abaixo ao 4-5), só que recuperou e dois jogos depois chegou ao match point. Um ponto fez, por isso, a diferença: o portuense não baixou os braços, anulou o ponto de encontro e protagonizou nova reviravolta, carimbando a vitória pelos parciais de 3-6, 7-6(0) e 7-6(4) ao fim de 2h35.

Foi o primeiro de três passos — uma espécie de primeira bandeira colocada numa montanha que parecia ainda demasiado íngreme. Mas a esperança é a última a morrer e o Clube de Ténis do Porto foi buscar a vitória aos dois encontros de pares. Manuel Gonçalves — o grande “obreiro” da reviravolta memorável — regressou ao campo para ao lado de Vítor Ferreira derrotar uma dupla de pai e filho: o treinador Pedro Pereira e o jogador Tiago Pereira (de 14 anos), pelos parciais de 7-5 e 6-3.

O encontro acabou com margem suficiente para os curiosos presentes no Complexo de Ténis da Maia correrem para dentro do court e seguirem bem de perto o desenrolar final do embate decisivo — iniciado ao mesmo tempo num campo adjacente, o duelo viu Héber Adónis e José Perez levarem a melhor sobre José Ricardo Nunes e Terrence Das, por emocionantes 6-3, 3-6 e 10-5, para confirmarem a reviravolta do Clube de Ténis do Porto, que há um ano tinha desperdiçado três match points frente ao Centro de Ténis de Faro na mesma fase da competição.

Braços no ar, gritos, saltos. Os festejos foram efusivos, ou não tivesse a “eliminatória” estado por um fio.

Se no papel não se tratava de uma meia-final — as seis equipas foram distribuídas em dois grupos de três, com as vencedoras a passarem à decisão –, o confronto definia o conjunto vencedor do Grupo 1. Assim, e pela primeira vez desde 2013, o Clube de Ténis do Porto está de volta à grande final do Campeonato Nacional de Equipas Seniores da 1.ª Divisão, onde vai encontrar a tricampeã Associação Académica de Coimbra.

Os “estudantes” fizeram-se reforçar de três jogadores do país vizinho e deram um dissabor duplo à equipa da casa: ao perder por 3-0, a Escola de Ténis da Maia não só ficou em último lugar como desceu de divisão (ontem, o Clube de Ténis das Caldas da Rainha também já tinha sido despromovido).

O triunfo foi feito por vitórias de Bruno Mardones (6-3 e 6-1 a Henrique Rocha), Carlos Villanueva (6-1 e 6-2 perante Afonso Vaz Viana) e Agustin Boje-Ordonez (6-2 e 6-3 a Fábio Coelho). Depois, cada um dos conjuntos abdicou de um encontro de pares.

Gaspar Ribeiro Lança
gasparlanca@raquetc.com | Dar palavras a um encontro de dois, três, quatro ou cinco sets, com ou sem tie-break. Dar palavras a recordes, a histórias. Dar ténis a todos aqueles que o queiram. E mais, sempre mais. Por isso depois chegaram o padel, o squash e o ténis de mesa. E assim cá estamos, no RAQUETC ("raquetecétera"). Como escreveu Fernando Pessoa nos anos 20, "primeiro estranha-se, depois entranha-se."