À terceira é de vez: “trintão” Zhe Li vai estrear-se em quadros principais do Grand Slam

Zhe Li
Fotografia: Elizabeth Bai

Depois de cair por duas vezes, Zhe Li conquistou, este domingo, a vitória com que tanto sonhava: o tenista chinês de 32 anos venceu o play-off asiático do Australian Open, o que significa que em janeiro de 2019 cumprirá a estreia em quadros principais de torneios do Grand Slam.

Ao contrário do que acontece no ténis feminino, o ténis masculino não tem brindado a China de grandes nomes, pelo que o play-off dedicado à zona do pacífico é visto anualmente como a maior possibilidade dos jogadores daquele país acederem ao quadro principal de um torneio do Grand Slam.

Zhe Li que o diga: apesar de ser o número 2 do seu país ocupa, aos 32 anos, um 256.º posto que não está muito longe da sua melhor classificação de carreira (foi 210.º no início de 2016) e que não lhe dá acesso aos maiores torneios do mundo, razão pela qual no currículo conta apenas com passagens por três qualifyings de Majors.

A final deste domingo era, por isso, (mais) uma oportunidade de ouro e desta feita não a desperdiçou: depois de uma entrada em falso frente ao compatriota e número 1 do país, Ze Zhang (220.º), Zhe Li recuperou para dar a volta ao marcador e vencer com os parciais de 1-6, 7-6(2) e 6-4 para receber, em lágrimas, o tão desejado convite.

Os números não mentem: ao vencer o play-off, Zhe Li vai tornar-se apenas no terceiro jogador natural da China a competir no quadro principal de singulares masculinos de um torneio do Grand Slam, seguindo os passos de Di Wu e Ze Zhang.

Mas há mais: porque é de um dos maiores torneios do mundo que se trata, independentemente do resultado o tenista chinês de 32 anos tem já assegurado um cheque de pelo menos 32.300 euros, valor correspondente à participação na eliminatória inaugural.

O regresso de uma gigante

No quadro feminino a vitória sorriu à ex-número 14 mundial Shuai Peng (está atualmente no 182.º posto), que beneficiou da desistência da exausta Kai Chen Chang — que disputou oito encontros em cinco dias, garantindo um wild card em pares — quando já liderava por 6-2 e 1-0.

O torneio marca uma nova fase da vida de Shuai Peng, que na luta pelo regresso aos grandes palcos conta com o apoio de Carlos Rodriguez. A tenista chinesa está a trabalhar há quatro meses com o antigo treinador de Justine HeninLi Na (duas campeãs do Australian Open), que viajou para Zhuhai à última hora para assistir à final do play-off.
Gaspar Ribeiro Lança
gasparlanca@raquetc.com | Dar palavras a um encontro de dois, três, quatro ou cinco sets, com ou sem tie-break. Dar palavras a recordes, a histórias. Dar ténis a todos aqueles que o queiram. E mais, sempre mais. Por isso depois chegaram o padel, o squash e o ténis de mesa. E assim cá estamos, no RAQUETC ("raquetecétera"). Como escreveu Fernando Pessoa nos anos 20, "primeiro estranha-se, depois entranha-se."