Desejados para o novo formato, Federer, Djokovic e Zverev distanciam-se das Davis Cup Finals

Roger Federer

A Federação Internacional de Ténis (ITF) mudou o formato da Taça Davis com o objetivo de contar regularmente com a presença de jogadores de topo. Mas Roger Federer e Novak Djokovic não se comprometem e Alexander Zverev, um dos maiores nomes da nova geração, já disse que não vai jogar.

“Aquilo de que sempre falámos foi a necessidade de contar com os jogadores de topo com mais frequência.” A frase é de David Haggerty, o Presidente da ITF, que em março justificou desta forma a necessidade de alterar de forma radical o formato da maior competição anual por equipas do mundo do desporto.

E assim chegaram as Davis Cup Finals, o novo formato da competição entretanto aprovado — entre outros, com o voto da Federação Portuguesa de Ténis — na Assembleia Geral da ITF que se realizou em agosto, em Orlando. As quatro eliminatórias (em final de janeiro/início de fevereiro, abril, setembro e novembro) dão lugar a uma semana condensada, em que 18 países se reunem primeiro numa fase de grupos e depois na fase a eliminar, com encontros à melhor de três sets.

Mas a data encontrada (18 a 24 de novembro de 2019) para a realização da competição está a dar origem a dificuldades que se antevêem difíceis de resolver para a ITF e Gerard Piqué, o futebolista do FC Barcelona que é um dos principais responsáveis pelo projeto. Em Xangai, a disputar o penúltimo Masters 1000 daquela que descreve como “uma longa temporada”, o número 5 mundial, Alexander Zverev, garantiu que não vai participar na primeira edição das Davis Cup Finals.

“Não vou jogar a Taça Davis em novembro. Depois do ATP Finals (que se joga na semana anterior) não vou querer jogar mais ténis. Todos os jogadores de topo vão dizer a mesma coisa. Temos um mês e meio sem ténis na nossa temporada e isso acontece no final de novembro e em dezembro. Fazer um torneio no final de novembro é de loucos, nessa altura estamos todos cansados”, afirmou.

O tenista germânico, um dos mais talentosos e sem dúvida o mais bem sucedido da sua geração, destacou ainda que “temos tido reuniões com a ATP para tornar a época mais curta, não mais longa. Não vai acontecer e garanto que não vou ser o único a tomar esta decisão.”

E tem razão. Roger Federer e Novak Djokovic, dois dos grandes nomes da modalidade e desejados por toda a organização, recusaram um compromisso com a competição. De acordo com o jornal The Times, a Suíça e a Sérvia eram favoritas à atribuição dos dois wild cards para a fase final (entretanto oferecidos à Grã-Bretanha e à Argentina) atendendo aos nomes das suas principais figuras.

Já esta quinta-feira, o sérvio afirmou que “a data da Taça Davis é muito má, especialmente para os jogadores de topo” e deu a certeza de que “entre as duas, darei prioridade à World Team Cup, porque é uma competição da ATP.”

O número 3 mundial refere-se ao torneio por equipas que a ATP vai fazer renascer a partir do ano de 2020 em conjunto com a Tennis Australia. Estarão presentes 24 equipas e em jogo 15 milhões de dólares em prémios e pontos para o ranking ATP, sendo a primeira semana do ano a data prevista.

O jornalista do The Times, Stuart Fraser, escreve que “realizou-se na semana passada uma rara conferência vídeo entre as entidades que governam o ténis mas continuam a existir vários obstáculos. Gerard Piqué está regularmente em contacto com as diferentes figuras do desporto à procura de uma solução mas o resultado mais provável continua a ser a realização de dois eventos por equipas (o da ITF e o da ATP).”

Gaspar Ribeiro Lança
gasparlanca@raquetc.com | Dar palavras a um encontro de dois, três, quatro ou cinco sets, com ou sem tiebreak. Dar palavras a recordes, a histórias. Dar ténis a todos aqueles que o queiram. E mais, sempre mais. Por isso depois chegou o padel, o squash e o ténis de mesa. E assim cá estamos, no RAQUETC ("raquetecétera"). Como escreveu Fernando Pessoa nos anos 20, "primeiro estranha-se, depois entranha-se."