João Sousa e os custos de ser jogador: “Numa temporada gasto entre 200.000 e 220.000 euros”

O Millennium Estoril Open, coaching e, até, as contas. Não faltaram temas de conversa na Grande Entrevista de João Sousa à RTP e já na parte final o melhor tenista português de todos os tempos fez uma estimativa dos valores necessários para completar um ano no circuito ATP.

Apesar de começar por dizer que “nunca calculei isso”, o vimaranense refere, rapidamente, várias das despesas que tem ao longo do ano. “São muitíssimas: os salários do treinador, preparador físico, fisioterapeuta, viagens, hotéis, gastos com jantares, almoços… Numa temporada acredito que gaste entre os 200.000 e os 220.000 euros.”

No entanto, os resultados obtidos nos últimos anos já permitem ao vimaranense não só “fazer face a esses gastos” como “angariar algum dinheiro para mim” depois de, recorda, os seus pais terem feito “um esforço enorme para que eu pudesse continuar no ténis e tentar ser profissional. Infelizmente há muitos jogadores que jogam muito bem e não têm essa possibilidade, portanto depois não conseguem continuar porque não têm como suportar as despesas.”

Porque é de finanças que estamos a falar, recorde-se que recentemente o número 1 nacional ganhou cerca de 280.000 dólares (aproximadamente 240.000 euros) com a campanha no US Open, o maior prémio alguma vez alcançado por um jogador português num único torneio.

A esse valor há que retirar os elevados impostos, à semelhança do que se verifica com os 881.000 dólares (755.000 euros) ganhos só este ano ou os 5,37 milhões de dólares (4,6 milhões de euros) amealhados ao longo de toda a carreira, segundo dados disponibilizados pelo ATP World Tour.

Gaspar Ribeiro Lança
gasparlanca@raquetc.com | Dar palavras a um encontro de dois, três, quatro ou cinco sets, com ou sem tiebreak. Dar palavras a recordes, a histórias. Dar ténis a todos aqueles que o queiram. E mais, sempre mais. Por isso depois chegou o padel, o squash e o ténis de mesa. E assim cá estamos, no RAQUETC ("raquetecétera"). Como escreveu Fernando Pessoa nos anos 20, "primeiro estranha-se, depois entranha-se."