Bartoli sobre Kyrgios e Monfils: “É patético, parece que não conseguem crescer”

Marion Bartoli
Francesa viveu o seu grande momento de glória no All England Club, ao vencer a final de 2013.

Depois de tentar e desistir de regressar ao circuito, Marion Bartoli voltou a dedicar-se à análise e comentários do jogo e esta semana está em Londres, a acompanhar todos os desenvolvimentos de Wimbledon para a BBC.

E foi precisamente num dos momentos de conversa que a campeã de 2013 foi chamada a comentar os “casos” de Gael Monfils e Nick Kyrgios, dois jogadores que, apesar de terem 8 anos de diferença, apresentam várias parecenças. Para a ex-tenista francesa, hoje com 33 anos, o australiano não será capaz de ganhar um torneio do Grand Slam, e explica, detalhadamente, porquê:

“Acho que não. Simplesmente porque a ética de trabalho dele não é suficientemente boa para ganhar um Grand Slam. Mesmo quando o Roger [Federer] e o Rafa [Nadal] se retirarem, a concorrência continuará a ser muito forte e os outros jogadores trabalham tanto para lá chegar e estarem lá que mesmo com todo o talento do mundo, e não estou a questionar isso, não acho que ele seja capaz de ganhar sete encontros consecutivos”, disse Bartoli, sem hesitar.

Depois, chamada por John McEnroe a encontrar eventuais semelhanças entre o australiano e Gael Monfils, seu compatriota, Marion Bartoli prosseguiu: “Sem dúvida que encontro. É por isso que o Gael nunca ganhou um Grand Slam. É uma pena, porque eles têm tanto potencial… De certa forma é patético ver que continuam a ser crianças e que não conseguem crescer, tornar-se homens e tomar conta das suas vidas.”

“Gostava que o Gael o tivesse conseguido fazer antes e espero que o Nick consiga reunir tudo aquilo de que precisa a certo ponto e perceba que se continuar a agir assim vai desperdiçar a sua vida”, concluiu a ex-número 7 mundial.

Apesar de curta, a reação de Nick Kyrgios não tardou. O australiano recorreu ao Twitter para, citando o tweet da conversa, expressar uma gargalhada e completar com um irónico “boa perspetiva”.

Gaspar Ribeiro Lança
gasparlanca@raquetc.com | Dar palavras a um encontro de dois, três, quatro ou cinco sets, com ou sem tiebreak. Dar palavras a recordes, a histórias. Dar ténis a todos aqueles que o queiram. E mais, sempre mais. Por isso depois chegou o padel, o squash e o ténis de mesa. E assim cá estamos, no RAQUETC ("raquetecétera"). Como escreveu Fernando Pessoa nos anos 20, "primeiro estranha-se, depois entranha-se."