Braga Open. Uma aposta de sucesso com continuidade assegurada

Clube-de-Ténis-de-Braga

BRAGA – Terminou a primeira edição do Braga Open. E primeira porque está já assegurada a continuidade do torneio em 2019, um anúncio feito em plena cerimónia de entrega de prémios da final de singulares, que culminou na primeira vitória de um tenista português num torneio Challenger em solo nacional desde 2013.

Não que estivesse dependente do resultado da final, mas a verdade é que terminar com um triunfo (6-0, 3-6 e 6-3) de Pedro Sousa sobre Casper Ruud dá outra história ao Braga Open. Aquele que é o primeiro de dois torneios Challenger consecutivos a acontecerem em Portugal escreve com tinta dourada as suas últimas linhas — um pouco à semelhança do que na semana anterior já tinha acontecido no Clube de Ténis do Estoril, quando João Sousa se sagrou campeão do Millennium Estoril Open.

Não foi, por isso, de estranhar constatar que todos os envolvidos no planeamento e realização do Braga Open tenham feito um balanço muito positivo após a final.

Sobretudo tendo em conta as palavras de Ricardo Rio, o Presidente da Câmara Municipal de Braga, que em pleno court central e para as várias centenas de pessoas que se deslocaram ao evento deu as certezas que até então eram “apenas” desejos: “Ficámos muito contentes e orgulhosos com esta realização e é por isso que marcamos encontro para 2019 com o Braga Open novamente.”

Pouco depois, o Raquetc falou com João Mota, o Presidente do Clube de Ténis de Braga e diretor do torneio, que entre a natural alegria depois de tamanho desfecho e satisfação pela consumação da segunda edição partilhou o maior desejo da sua equipa: “Queremos dar a Braga aquilo que ela merece, que é bom ténis.”

Vasco Costa, o Presidente da Federação Portuguesa de Ténis — que organizou o Challenger juntamente com o CTB –, destacou os frutos de uma aposta forte no aumento da organização de provas internacionais: “O nosso projeto é isto, impulsionar os tenistas portugueses através da realização de torneios internacionais para que possam somar pontos, conquistar títulos e subir no ranking estando em casa e porque não há duas sem três, esperamos ter mais um português a ganhar na próxima semana, no Challenger de Lisboa, o Lisboa Belém Open.”

O responsável máximo do ténis nacional contou ainda que a continuidade do Braga Open foi acertada… Enquanto Pedro Sousa e Casper Ruud já trocavam bolas: “Durante a final falei com o Presidente [da Câmara Municipal de Braga] e acertámos que iríamos manter o torneio no próximo ano, como ele entretanto teve oportunidade de anunciar.” Mas não se ficou por aqui: dando continuidade ao projeto que este ano leva aos calendários masculino e feminino cerca de 40 provas, Vasco Costa afirma que “para o ano temos a intenção de tentar fazer mais dois ou três torneios Challenger”.

No rescaldo do Braga Open não poderiam faltar, claro, as palavras de António Paes de Faria. O Presidente da Associação de Ténis do Porto que assistiu de perto ao desenrolar da ação e que afirma ter-se tratado de “um passo à frente da mudança que vem aí no quadro competitivo da Federação Internacional de Ténis, pelo que foi muito importante.”

“Para além disso, a forma como o clube, a federação e a autarquia agarraram o projeto foi excelente e ainda por cima terminámos com um dia em que houve de tudo: chuva, 3 sets, um português a ganhar, emoção, mostrou-se que quando chove pouco também se pode jogar, o que impressionou algumas pessoas, e que no ténis ao contrário de muitas modalidades se faz uma cerimónia à chuva. Para o ténis é fantástico”, continuou, antes de terminar com um apontamento relacionado com as vitórias ‘caseiras’: “Não é nada fácil jogadores nacionais ganharem no próprio país. Parece fácil mas o ténis é um desporto individual, a pressão é muito grande e as pessoas não pensam nisso mas é muito difícil ganhar em casa.”

Gaspar Ribeiro Lança
gasparlanca@raquetc.com | Dar palavras a um encontro de dois, três, quatro ou cinco sets, com ou sem tie-break. Dar palavras a recordes, a histórias. Dar ténis a todos aqueles que o queiram. E mais, sempre mais. Por isso depois chegaram o padel, o squash e o ténis de mesa. E assim cá estamos, no RAQUETC ("raquetecétera"). Como escreveu Fernando Pessoa nos anos 20, "primeiro estranha-se, depois entranha-se."