João Sousa: “Em ‘miúdo’ pensava que os craques eram extraterrestres. Agora é a minha vez de ser um”

João Sousa PC
João Sousa em conferência de imprensa, ao lado do troféu de campeão do Millennium Estoril Open

ESTORIL – Terminado um dos mais importantes encontros da história do ténis português, João Sousao novo campeão do Millennium Estoril Open – surgiu na sala de imprensa e foi recebido com uma efusiva salva de palmas. O troféu, como não podia deixar de ser, também o acompanhou bem apertado nos seus braços, sendo posteriormente pousado na mesa à vista de todos os presentes.

A primeira pergunta foi proferida e referia-se às emoções que sentiu no momento da vitória. Vaga, complicada de responder, mas absolutamente necessária. “É difícil de acreditar. É um sentimento único. Apesar de nunca ter confessado, sempre desejei vencer aqui. Acho que foi uma semana de sonho, sinceramente ainda não caí em mim”, confessou, antes de resumir: “Foi uma bonita página no ténis nacional, sem dúvida”.

Um dos momentos da tarde foi claramente a entoação coletiva do hino nacional, cantado por duas vezes, antes e após o encontro. Perante tal manifestação emotiva, o campeão reagiu na mesma moeda. “Entrar dentro de campo e começarem a cantar o hino é algo de extraordinário, fiquei com pele de galinha”, revelou, não deixando de comentar o seu comportamento ao som do ‘game, set and match’: “Foi o que me saiu. Comecei a chorar porque há toda uma dedicação e um esforço enorme por trás deste título”.

Este domingo foi o culminar de todo um trabalho árduo que remonta há vários meses. Em jeito de retrospetiva, o melhor jogador português de sempre não deixa de recordar a caminhada até à glória: “O ano não começou da melhor maneira mas nos últimos meses temos alcançado grandes vitórias. Esta semana colocou em prática tudo aquilo que trabalhámos e acho que isto é um prémio a todo esse esforço”, referiu.

Já que efetuou uma retrospetiva, porque não abordar as memórias? Mais concretamente de quando ainda era um ‘miúdo’ e vinha assistir aos jogos do Estoril Open quando este ainda se realizava no Jamor. “Vinha ao Jamor ver jogar os craques e pensava que eram extraterrestres. Agora é a vez de pensarem isso de mim. E quem sabe daqui a uns anos possam ser eles”, lembrou.

Apesar de todos estes sentimentos à flor da pele, quando questionado acerca do futuro, João Sousa não deixa de expressar novamente o aspeto focado e decidido que tanto o caracteriza, mostrando que ainda tem os pés bem assentes na terra. “Caindo na realidade, isto é apenas uma semana muito bem conseguida na minha carreira. Isto ainda não acabou”, atirou nos momentos que antecederam um gesto fascinante da sua parte — chamou os jornalistas presentes no local, e pacientemente tirou inúmeras fotografias com todos.

António Vieira
Natural de Lisboa e licenciado em Gestão, vê no Ténis uma extraordinária modalidade com vasto potencial a ser explorado em Portugal. Tem como principal objetivo a contribuição no seu crescimento partilhando com o Mundo a sua espetacularidade.