Frederico Marques: “Já não via o João jogar a tão bom nível desde Madrid 2016”

Frederico Marques teceu rasgados elogios à exibição de João Sousa, principalmente no set inaugural, este sábado, no duelo com Stefanos Tsitsipas, referente às meias-finais do Millennium Estoril Open.

Para o jovem treinador, o seu pupilo realizou o melhor set dos últimos dois anos em terra batida. “Sabíamos que ia ser um jogo muito físico, um jogo comprido. Um primeiro set muito bom de parte a parte. A meu ver o melhor set do João nos últimos anos em terra batida. Já não via o João a jogar com tantas boas mudanças de direção de esquerda, direita, agressivo a fechar pontos na rede, com mais de 80% de primeiros serviços”, começou por analisar.

“A responder bem, muito poucos erros. Penso que não o via jogar a tão bom nível desde Madrid 2016. No segundo set não foi possível continuar com esse nível, daí o 6-1 mais por mérito do Tsitsipas e de nós termos baixado de intensidade”, prosseguiu em declarações prestadas ao RAQUETC.

Frederico Marques indicou aquele que para si foi o momento chave do encontro. “No final do segundo set voltámos a subir. O 5-1 para mim é o jogo chave, para poder começar a servir por cima no terceiro [set]. O João é um jogador que quando se vê por cima, mesmo sem breaks, nestas partes avançadas do torneio fica muito sólido e dá pouco espaço de visão ao adversário. Foi o que aconteceu”, observou.

João Sousa celebra a passagem à final do Millennium Estoril Open

O braço de ferro com o jovem grego ficou sentenciado no tie-break da terceira partida, onde o número 1 português esteve novamente a um grande nível. “Acabou por ser decidido no tie-break, onde o João esteve sólido e com uma boa percentagem de primeiros serviços e a cometer muito poucos erros; a desgastar bastante, a fazer muitas mudanças de direção, a fazer o Tsitsipas correr à direita e com o decorrer do encontro, com o tempo a passar, ainda lhe custava mais. Pusemos bastante o dedo na ferida nessa situação, para poder dominar”, frisou.

Ao RAQUETC, Frederico Marques disse ainda que “foi um encontro muito bom dos dois, estão ambos de parabéns” e comentou a queda nível de João Sousa na segunda partida, algo que de resto já se tinha verificado no confronto de ontem (sábado) frente a Kyle Edmund.

“É normal. Pode sempre existir aquela vertigem de estar perto, de relaxar um bocadinho depois do primeiro set, de saber que é forte no terceiro set, nos jogos que se alargam. No primeiro set, o máximo que pode acontecer é chegar a um terceiro. O João sabe que é forte nesses momentos”, sublinhou o treinador de 31 anos.

“Relaxou um pouco hoje, sabia que já tinha desgastado bastante o Tsitsipas, sabia que estava a um nível muito alto e a meu ver faltou um bocadinho colocar o dedo na ferida logo no início. Baixou um bocadinho, variou um pouco taticamente para não fazer sempre a mesma coisa, não funcionou e portanto teve de voltar à tática inicial. A partir daí já conseguiu ter o comando do ponto. Mas penso que faltou um bocadinho de controlo emocional nesse momento para continuar a meter o dedo na ferida”, finalizou.

João Correia
Licenciado em Sociologia e Mestre em Comunicação, Cultura e Tecnologias de Informação (ISCTE). Privilegiado por viver numa das melhores eras da história da modalidade.