Alex de Minaur em conversa com o Raquetc: “Portugal foi parte essencial no meu crescimento”

ESTORIL – Este Millennium Estoril Open tem a capacidade de transmitir um poder muito especial a todos os espetadores. Isto é, permite um vislumbre daquilo que será o futuro da elite do ténis mundial. Entre os vários elementos da denominada NextGen presentes na prova – todos eles já senhores de uma qualidade invejável – destaca-se o ‘miúdo’ Alex de Minaur.

O seu aspeto algo franzino engana. Não sendo um portento físico, dentro de court tem a capacidade de soltar o ‘monstro’ que indubitavelmente existe dentro de si ao lutar valentemente por cada ponto em disputa. Cá fora, apresenta a sua outra faceta. Sempre com uma postura humilde e calma, aceitou simpaticamente conversar com o RAQUETC sobre o seu ainda curto mas já impressionante percurso pelo circuito profissional.

Começámos portanto em solo português. A razão? Foi precisamente no nosso país que, em julho de 2017, o teenager saltou pela primeira vez para a ribalta do universo tenístico numa altura em que ainda se encontrava a disputar provas de categoria Future. Quando questionado sobre a importância desse período no seu desenvolvimento, o jovem aussie não teve qualquer dúvida.

“Portugal foi parte essencial no meu crescimento, porque foi na Póvoa de Varzim que ganhei o meu primeiro e único titulo. Vinha do qualifying de Wimbledon e precisava de pontos e ritmo competitivo, então eu e a minha equipa decidimos vir para aqui”, começou por lembrar antes de tecer elogios ao local. “Adorei o sítio e cada segundo que lá passei”.

Alex de Minaur EO-18
Em menos de um ano, Alex de Minaur passou de torneios Future portugueses para os maiores palcos do ténis mundial.

Se em 2017 andava por Portugal a competir em torneios de categoria inferior, no início do presente ano efetuou a dramática transição para os maiores palcos do ténis mundial. As diferenças? Essas são óbvias, como o próprio elucida.

“[Nos torneios ATP] Não podes ter qualquer lapso de concentração, tens de estar focado durante o jogo todo e se falhar um mínimo pormenor o adversário irá aproveitar para se impor no jogo”, contou antes de concordar, “esse foi provavelmente o meu maior desafio”.

No meio de todo este processo, surge uma figura que se estabeleceu como fundamental na sua transformação como jogador e pessoa. Muito mais que um antigo número um mundial, Lleyton Hewitt é um ídolo e agora também parceiro de pares. “Desde o primeiro dia sinto a sua influência e estarei eternamente agradecido”, atirou. “Adoro passar tempo com ele e isso está a ajudar imenso ao meu desenvolvimento enquanto jogador de ténis e pessoa”, contou exibindo um brilho nos olhos.

Após ser eliminado esta quarta-feira pelo próximo oponente de João Sousa, o britânico Kyle Edmund, o tenista de Sydney ainda tem em mãos a competição de pares e explicou o modus operandi que coloca em prática sempre que entra em ação. “Tenho uma abordagem de jogo a jogo em todos os torneios que disputo, tem de ser sempre assim, nunca podes colocar ‘a carroça à frente dos bois’ porque é aí que muitas vezes aparecem os problemas”, explicou.

Para acabar, de Minaur – neste momento posicionado no 111.º lugar da hierarquia mundial – não nos deixa sem transmitir o seu forte desejo em conhecer Portugal. Porque como o próprio indica, a vida no circuito é bastante limitativa nesse aspeto. “Estou a adorar o hotel e as paisagens. Ainda não tive a oportunidade de visitar outros locais porque estando aqui tudo gira em redor do torneio. Mas quando acabar espero ter a possibilidade de o fazer”, concluiu.

António Vieira
Natural de Lisboa e licenciado em Gestão, vê no Ténis uma extraordinária modalidade com vasto potencial a ser explorado em Portugal. Tem como principal objetivo a contribuição no seu crescimento partilhando com o Mundo a sua espetacularidade.